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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

a natureza oculta nas profundezas da vida

 

soka gakkai

Tiro fotografias para registrar esse diálogo e para que, dessa forma, possamos sentir a beleza e a maravilha da natureza juntos. As fotos são tiradas com o coração.

Robert Capa (1913–1954) fotografou a tragédia da guerra em um campo de batalha e deixou um registro disso para que tomássemos conhecimento. Meu desejo é deixar um registro da importância da natureza.

Hoje, há um interesse cada vez menor pela busca da natureza oculta nas profundezas da vida. Em contrapartida, uma grande energia é dedicada à exploração de outros assuntos. Pode-se compreender a necessidade desses estudos, mas, quando se separam da essência da vida, eles se tornam insignificantes.

Todas as grandes obras artísticas e culturais realizadas no passado originaram-se do amor à natureza e de uma profunda impressão sobre ela.


Diálogo com a natureza

 

soka gakkai

A natureza é como um espelho. Ela permanece imóvel. Eu, no entanto, posso me mover para outros lugares. Ela parece inalterável, ao passo que eu me transformo a cada instante. O espelho da natureza reflete meu mundo interior, a essência da humanidade e a grandiosa e completa amplitude da própria vida.

Uma estudante escreveu: “Sinto-me feliz quando o dia está lindo. Creio que seja porque a beleza do sol, do vento, da grama e das árvores é completamente natural, à sua própria maneira, isenta de qualquer falsidade ou superficialidade”. Acredito que ela esteja dialogando, à sua própria maneira, com o céu azul e com o sol.

Somente quando nós estamos unidos à natureza e envolvidos com ela é que realmente podemos afirmar que estamos vivos e com energia. Para estarmos vivos, necessitamos da luz do sol, do brilho da lua e das estrelas, da beleza do verde e da pureza das águas.

Um ambiente poluído e sujo não é natural. Quando as pessoas vivem nesse tipo de ambiente, seu coração também se torna poluído. Essa é a unicidade da vida e do ambiente.

As pessoas não existem separadas da natureza e o ato de destruí-la nada mais é que um sinal da arrogância e da ignorância da humanidade.

Sempre apreciei as obras do escritor japonês Doppo Kunikida,2 as quais são repletas de magníficas descrições da natureza. Ainda me lembro delas. Em uma passagem, ele escreveu: “Aquele céu completamente azul despontando sobre o topo das árvores e os raios de sol entrecortados pelas folhas que bailavam ao ritmo da brisa eram indescritivelmente belos”.3


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

o “grande eu” do Universo em sua inteireza

 

soka gakkai

Nós, seres humanos, somos facilmente influenciados pelos impulsos inerentes à vida, como os três venenos (avareza, ira e estupidez). Somos seres frágeis, comparáveis a pequeninos barcos num mar furioso, facilmente lançados de um lado para outro ou afundados pelas poderosas ondas do destino ou carma. Assim como uma grande tempestade pode arrastar uma minúscula embarcação a algum destino desconhecido, muitas vezes somos impelidos a agir de formas que desafiam a razão, permitindo que interesses pessoais de curto prazo prejudiquem a nossa sobrevivência. Por exemplo, embora saibamos racionalmente que devemos preservar e cuidar do meio ambiente, nós o destruímos e o poluímos visando ganhos imediatos. Ou, para dar outro exemplo, racionalmente almejamos a paz, mas permitimos que a insegurança e o medo nos instiguem a fortalecer nossos arsenais militares, dando chance para que um incidente menor desencadeie uma guerra de grandes e terríveis proporções. Fatos desse tipo ocorreram repetidamente ao longo da história.

Para nos proteger dessas forças ou impulsos, bem como das forças do destino que controlam indivíduos e sociedades em níveis ainda mais profundos – como correntes invisíveis no oceano dominando e carregando uma frágil embarcação –, devemos possuir um forte compromisso com o humanismo.

O budismo ensina que nas profundezas de cada indivíduo existe uma entidade vasta e poderosa – o “grande eu” do Universo em sua inteireza. Designa essa entidade como natureza de buda e esclarece como podemos abrir e manifestar essa natureza e demonstrar o poder dela em nossa vida por meio de ações efetivas.

Nem é necessário dizer que, vivendo no mundo real como no nosso caso, ninguém é perfeito. Aqueles que realizam sua revolução humana também não alcançaram ainda a perfeição. Revolução humana vincula-se a uma clara consciência de nosso propósito na vida, acompanhada de esforço para se aproximar do estado de perfeição pouco a pouco, mantendo claramente esse propósito em mente. Revolução humana não é um objetivo final que possa ser alcançado; antes, constitui uma mudança no curso, na direção de nossa vida.

Em decorrência disso, em dado momento, aqueles que se esforçam pela revolução humana naturalmente podem cometer erros e ter defeitos, assim como todas as pessoas, e talvez não pareçam nada diferentes dos outros. Mas, interiormente, as pessoas empenhadas na revolução humana são completamente diferentes em relação ao que eram antes de iniciar essa epopeia espiritual e, no longo prazo, a diferença entre elas e os demais se tornará visível. Essa é a nossa concepção do processo de revolução humana.



o ambiente é como a sombra; e a vida é como o corpo

 

SOKA GAKKAI

As dez direções2 são o “ambiente”, e os seres vivos são a “vida”. Para ilustrar, o ambiente é como a sombra; e a vida é como o corpo. Sem o corpo, não pode haver sombra; e sem a vida, não existe ambiente. Do mesmo modo, a vida é moldada por seu ambiente. (CEND, v. I, p. 673)

(...)

Embora a vida humana seja criada pelo mundo da matéria e a atividade espiritual se origine de todos os elementos do Universo, é necessário que os seres humanos procurem manter e cultivar seu meio ambiente. Se não puderem manter nem cultivar o mundo físico como se fosse o próprio corpo, se forem incapazes de empreender reais esforços para aceitar isso, a humanidade não sobreviverá.

(...)

O ambiente reage à energia vital humana e é transformado por ela. Todos os seres vivos, inclusive os seres humanos, possuem a energia vital que forma seu ambiente e, é claro, reflete sua vida.

É por essa razão que Nichiren Daishonin afirmou: “Sem o corpo, não pode haver sombra; e sem a vida, não existe ambiente. Do mesmo modo, a vida é moldada por seu ambiente” (Ibidem). O ambiente de cada ser vivo varia de acordo com o estado de vida em que cada um se encontra.

(...)

Se os seres humanos abrirem os olhos para o ritmo harmonioso do Universo e coexistirem de modo pacífico com todas as formas de vida, eles reforçarão a função da linha da vida e irão construir um universo em que a humanidade desfrutará amor, confiança e compaixão plenos e as atividades da mente humana impulsionarão este ser vivo — a natureza — a dar continuidade em seu trabalho criativo. O ritmo harmonioso do corpo cósmico, com a sustentação dos seres vivos que prezam “um único cosmos” irá, por sua vez, sustentar a vida de cada pessoa como se houvesse “uma única vida”. É dessa maneira que deve ser a vida e o comportamento humanos na unicidade da vida e do seu ambiente.

(...)

Quando descobrirmos como empregar nossa energia vital para a criação e a preservação da vida humana e do cosmos e quando compreendermos como viver em verdadeira harmonia com o Universo, o ensinamento da unicidade da vida e do seu ambiente se tornará a grandiosa filosofia prática capaz de salvar a humanidade.


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

A nossa missão pela sobrevivência da humanidade

 

soka gakkai

Durante a maior parte do tempo estimado de mais 4 bilhões de anos de existência do nosso planeta, somos apenas uma espécie animal, um elemento a mais na ecologia da Terra. Somente nos últimos poucos milênios os seres humanos desenvolveram conhecimentos sofisticados que possibilitaram mudanças significativas nos sistemas naturais do planeta.


Hoje, com seus muitos aspectos positivos, os impactos negativos da civilização científico-tecnológica podem ser sentidos em escala global. A humanidade agora confronta o desafio de um relacionamento novo e muito diferente com o ambiente natural — uma coexistência consciente. O fracasso nesse sentido pode ameaçar nossa própria sobrevivência.


Uma criação contínua

O budismo afirma que a vida interior dos indivíduos corresponde à vastidão do macrocosmo do mundo dos fenômenos. O mundo interior vibra com a ilimitada energia da benevolência, do amor, da sabedoria, da razão, assim como as emoções, os impulsos e os desejos. A cada instante, essa energia surge de dentro para criar, em interação com o lugar onde habitamos, um novo ser, um novo mundo. Quando nosso microcosmo está em harmonia dinâmica, sua energia criativa é comunicada ao mundo em ondas de alegria, encontrando expressão concreta nas ações marcadas pela razão, sabedoria e benevolência. Em contraste, quando o microcosmo perde o ritmo essencial, sua energia assume aspectos destrutivos, agressivos e dominadores, como cobiça e outros impulsos obscuros. Nessas circunstâncias, a vida interior é uma terra desolada. A desertificação exterior corresponde exatamente à desertificação espiritual do ser humano.


A forma como nos relacionamos com nós mesmos (vida interior) está intimamente ligada à maneira como nos relacionamos com nossos companheiros (vida na sociedade). E isso está inextricavelmente ligado a como nos relacionamos com o mundo natural. Seres humanos cujo ambiente interno é despojado e desolado caem facilmente presas de uma espécie de egocentrismo que inevitavelmente se manifesta em atos de dominação, exploração e destruição nos mundos social e natural.


Mas o inverso é verdadeiro. A natureza íntima e mutuamente interativa da ecologia da Terra, da sociedade e da vida interior dos indivíduos significa que a influência harmonizadora da benevolência e da sabedoria, que brota de dentro de cada um e pode ter um efeito transformador positivo até mesmo nos problemas em escala global. A chave para a transformação é a vontade consciente nas profundezas da vida do indivíduo.


Vida e seu ambiente

Focando inicialmente em nossa vida interior — nosso relacionamento com nós mesmos —, o budismo revela e ilumina a lei de causalidade que governa os processos pelos quais tanto os padrões positivos (criativos) quanto os negativos (destrutivos) são registrados, e as energias potenciais também são armazenadas nas profundezas de nossa vida. Ao mesmo tempo, o budismo objetiva direcionar a luz da sabedoria budista para o exterior e revelar a natureza verdadeira e original de todos os fenômenos gerando possibilidades mais criativas nas sociedades e culturas em geral.


O mundo fenomenal constitui uma grande rede de elementos mutuamente interativos e sobrepostos, entrelaçados por fios da causalidade. Essa rede de relacionamento se estende para o exterior abrangendo os mais distantes limites do universo. Dessa forma, o budismo vê todos os fenômenos do universo — não somente aqueles que são explicitamente vivos do ponto de vista biológico — como partes integrantes da vida humana.


Escrevendo em 1903, Tsunesaburo Makiguchi (1871—1944), presidente fundador da Soka Gakkai, analisou a relação entre as pessoas e a geografia onde habitam. Ele percebeu inicialmente que os seres humanos se engajam tanto em relações físicas quanto espirituais no meio em que vivem e então classificou as interações espirituais em cognitivas, analíticas e utilitárias; e as relações com o mundo natural como estéticas, morais, empáticas, de espírito público e religiosas. Em uma passagem sobre nossas relações empáticas com a natureza, ele escreveu: “A montanha, que até agora se elevava como algo diferente e separado, é reconhecida como parte do mundo, com o ser com o qual existe em relacionamento mútuo. A montanha torna-se um ser com sentidos, e nossas relações com ela refletem isso. O ser torna-se uno com a montanha, partilhando suas tristezas e alegrias e vivenciando seu destino”.


Em nossa história como espécie, os humanos consideram a natureza com intensos sentimentos de espanto diante de sua força e gratidão por seus ilimitados benefícios. O progresso da tecnologia científica, contudo, atenuou esses sentimentos, e consideramos a natureza como algo exterior, um mundo reificado a ser dominado e conquistado em prol da nossa prosperidade material. A visão de Makiguchi de uma ecologia humano-natural é de parceria e coexistência cooperativa dentro da grande força universal da vida.


A missão da humanidade

Ao aceitar a validade das interações práticas ou utilitárias entre os parceiros (nosso “uso” da natureza e o “uso” de nós pela natureza), Makiguchi descreve uma rede multifacetada de interações, afirmando o significado e a importância de cada uma de nossas formas de inter-relacionamento como nosso ambiente. Entre elas, a religião pode fortalecer a capacidade humana de encontrar a natureza com profundos sentimentos de espanto e alegria pelos trabalhos criativos do universo.


O estado do nosso ambiente pode ser compreendido como a sombra lançada pelo “corpo, que é a entidade de vida, ou seja, nós mesmos. Sem o corpo, não há sombra. A entidade de vida e seu ambiente são inseparáveis. Ao mesmo tempo em que reconhece a influência do meio ambiente em nossa vida, o budismo vê os seres humanos como protagonistas de mudanças positivas e nos encoraja a desenvolver uma consciência do planeta como um todo nos inspirando a ter responsabilidade particular de proteger e trabalhar para reunir todas as formas de vida em harmonia. Nossa missão em relação aos outros seres vivos é contribuir para a criação de valor dentro da biosfera da Terra.


De uma perspectiva evolucionista, a autoconsciência da humanidade nos proporciona um lugar especial na evolução física, química e biológica que já está em movimento há 14 bilhões de anos, desde o Big Bang. Os seres humanos são capazes de perceber os ritmos e as leis — especificamente a lei de causa e efeito — que guiam o crescimento e desenvolvimento dos sistemas naturais. Nesse sentido, a missão dos seres humanos é contribuir como participantes conscientes para a evolução criativa do universo.


Quando uma clara percepção dessa sublime missão informar e direcionar todos os nossos esforços nos campos da ciência e tecnologia e em nossos sistemas sociais, políticos e econômicos, descobriremos uma abordagem verdadeiramente humanista — no melhor sentido da palavra — para resolver os muitos problemas e desafios que enfrentamos.


terça-feira, 28 de setembro de 2021

a importância da ação conjunta e construtiva

 

soka gakkai

Um compromisso que eu gostaria de discutir se relaciona com a importância da ação conjunta e construtiva em vez de somente veicular um sentido compartilhado de crise.

Os primeiros alertas sobre o aquecimento global causado pelo homem foram emitidos em 1980 e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) foi adotada em maio de 1992, pouco antes da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (a Cúpula da Terra) no Rio de Janeiro. O Protocolo de Kyoto foi adotado em 1997 com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa por economias desenvolvidas e, em dezembro de 2015, o Acordo de Paris foi adotado como a primeira estrutura global a incluir economias emergentes e em desenvolvimento.

O pano de fundo para o estabelecimento de um modelo de ação global foi a profunda percepção da crise surgida a partir de estudos científicos conduzidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

(...)

Apesar de o Acordo de Paris ter se tornado operacional neste mês, sérios desafios planam sobre o seu futuro. Segundo um Relatório Especial do IPCC, se o aquecimento continuar, há perigo real do aumento na média da temperatura global exceder 1,5 grau Celsius em 2030. Manter o aquecimento global dentro desse limite é o objetivo do Acordo de Paris, e é crucial que todos os países acelerem seus esforços para atingi-lo. Para esse fim, devemos ir além da percepção compartilhada de crise e propor uma visão clara em torno da qual seja possível nos unir em solidariedade e mobilizar o engajamento ativo de pessoas de todo o mundo.

Se nos concentrarmos somente nas ameaças que enfrentamos, corremos o risco da indiferença dos que não se sentem diretamente impactados. Mesmo aqueles que reconhecem a gravidade da ameaça poderão se sentir impotentes e concluir que nada podem fazer para mudar a situação.

Isso me lembra de algo que a intelectual e pacifista Elise Boulding (1920–2010) compartilhou comigo. Nos anos 1960, enquanto participava de uma conferência sobre desarmamento, a Dra. Boulding perguntou aos especialistas participantes como eles viam o funcionamento de um mundo totalmente sem armas. Para sua surpresa, eles responderam que não faziam ideia — seu trabalho era somente descrever como o desarmamento é possível. Com base nessas respostas, a Dra. Boulding percebeu que é preciso adotar visão clara e específica de uma sociedade pacífica, caso contrário será impossível unir as pessoas em prol da paz.

(...)

Por muitos anos, a ideia de um tratado de proibição das armas nucleares foi considerada impossível. No entanto, como a preocupação com as consequências humanitárias catastróficas de armas nucleares se intensificou, o esforço para proibir essas armas trouxe ao centro do debate a visão de um futuro melhor, e isso se tornou o fator essencial no ímpeto da solidariedade que levou à adoção do Tratado de Proibição das Armas Nucleares (TPAN) em 2017.

O TPAN vai além de ressaltar como as armas nucleares impõem um risco à segurança de toda a humanidade. Como seu preâmbulo indica, no cerne do tratado está a percepção de como os esforços para fazer avançar o desarmamento nuclear estão indissociavelmente ligados e avançam no trabalho de criar um mundo que assegure os direitos humanos e defenda a igualdade de gênero, um mundo que proteja a saúde das gerações atuais e futuras, um mundo que priorize a integridade ecológica.


ênfase na abordagem construtiva

 

soka gakkai

No desafio da construção, encontramos um terceiro caminho para evitar a indiferença egocêntrica a problemas que não nos afetam diretamente ou de uma paralisia pessimista em face dos problemas que parecem esmagadores. Para coincidir com a Cúpula da Terra de 1992, a SGI estabeleceu o Instituto Soka — Centro de Pesquisas e Projetos Ambientais do Amazonas (Cepeam) [hoje, Instituto Soka Amazônia] no Brasil que, a partir de então, tem realizado atividades para restaurar a floresta tropical e proteger sua ecologia única. E não é por acaso que nossas exposições originalmente organizadas em apoio à Década de Educação pelo Desenvolvimento Sustentável da ONU foram intituladas Sementes da Mudança e Sementes da Esperança. Esses títulos sintetizam a mensagem afirmativa que cada um de nós, de onde estamos neste momento, temos o potencial de nos tornar arquitetos da mudança rumo à sociedade global sustentável, e que cada ação nesse sentido é uma semente da mudança, uma semente da esperança, que fará germinar flores de dignidade por todo o mundo.

A ênfase na abordagem construtiva diante das ameaças tem sua origem na filosofia budista. No Sutra do Lótus, que materializa a essência dos ensinamentos de Shakyamuni, encontramos o princípio de que “o mundo saha é em si a Terra da Luz Tranquila”. Saha é uma palavra sânscrita que significa “suportar” ou “resistir”. O termo “mundo saha” expressa a percepção de Shakyamuni de que o mundo no qual vivemos é permeado por angústia e sofrimento. Mesmo se baseando nessa visão de mundo, Shakyamuni declarou: “Parti com vinte e nove anos em busca do bem”. Como isso mostra, ele não foi movido pelo pessimismo, mas pela busca sincera em descobrir como as pessoas poderiam evitar se afogar em sofrimentos e viver felizes.



segunda-feira, 27 de setembro de 2021

O terceiro compromisso

 

soka gakkai

O terceiro compromisso refere-se aos esforços para transformar os próximos dez anos na década de ação dos jovens pelo clima e torná-la um elemento integrante da recém-lançada Década de Ação das Nações Unidas para concretizar os ODS até 2030. A Cúpula da Juventude pelo Clima da ONU, realizada antes da Cúpula de Ação Climática em setembro último [2019], será o emergir de uma nova [Organização das] Nações Unidas. Digo isso porque percebi nela as seguintes características:

1. Jovens de mais de 140 países e territórios participaram não como representantes de seus Estados, mas de sua geração.

2. As várias discussões na cúpula foram moderadas por jovens e não por funcionários da ONU.

3. Em vez do formato tradicional de palestrantes das reuniões da ONU, houve ênfase em promover discussões entre eles.

Acima de tudo, no entanto, estava o fato de que o secretário-geral Guterres atuou como “principal ouvinte” na sessão de abertura, atento durante toda a reunião às declarações dos jovens representantes.

Em 2006, enviei uma proposta sobre a reforma da ONU. Sugeri que a cada ano, na preparação para a Assembleia Geral, seria bom realizar uma reunião de jovens de diversas partes do mundo para dar aos líderes mundiais a oportunidade de ouvir os pontos de vista das próximas gerações. Não posso deixar de considerar a Cúpula da Juventude pelo Clima um modelo inovador para tal prática.

Além disso, as manifestações pelo clima global geraram ondas de mobilização internacional em prol do tema. Apenas durante a semana da Cúpula de Ação Climática da ONU, mais de 7,6 milhões de pessoas em 185 países participaram de eventos pela ação urgente em combate ao aquecimento global. A origem do movimento pode ser encontrada nas ações da estudante sueca de ensino médio Greta Thunberg, ao iniciar uma greve escolar para exigir resposta mais firme à crise climática, no verão de 2018. Suas ações tiveram apoio imediato de jovens de todo o mundo e os movimentos cresceram com participantes de todas as idades.

Christiana Figueres desempenhou papel central na Conferência pelo Clima em Paris como secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e agora lidera a Missão 2020, iniciativa voltada para assegurar a realização dos objetivos do Acordo de Paris. Suas palavras:

A indignação e a raiva que está nas ruas é totalmente justificada porque essas pessoas, os jovens em particular, entendem a ciência, entendem as implicações para sua vida e sabem que é possível resolvê-las.

Ela explicou que os jovens sabem que a mudança não é impossível, razão pela qual mostram indignação diante da lentidão dos esforços em prevenir o aquecimento global. E, indo além, se a indignação for aliada ao otimismo, podemos esperar que algo ainda mais poderoso surja.

A Sra. Figueres visitou a sede da Soka Gakkai em fevereiro do ano passado. No artigo com o qual contribuiu para o jornal Seikyo Shimbun, ela refletiu sobre a concretização do Acordo de Paris mesmo quando muitos pensavam o contrário. E escreveu: “Não há como ser vitorioso sem ser otimista”. Sinto que, quando a determinação dos jovens de transformar a realidade se une ao indomável otimismo, as possibilidades são ilimitadas.

Os esforços dos jovens para combater as mudanças climáticas estão catalisando as atividades de muitos indivíduos e organizações ao redor do mundo. Um exemplo encontra-se nas redes de ensino superior nas quais mais de 16 mil instituições adotaram uma declaração de compromisso de enfrentar a crise trabalhando com estudantes. O plano de ação inclui: o compromisso de tornar suas emissões de carbono neutras; mobilizar mais recursos para a pesquisa sobre o clima; e fortalecer a educação ambiental e de sustentabilidade, no campus e por meio de programas junto às comunidades.


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Cidadania Planetária — Seus Valores, Suas Crenças e Suas Ações Podem Criar um Mundo Sustentável

 

soka gakkai

Não é difícil tornar-se cidadão planetário. Devido ao desenvolvimento dos meios de comunicação, é fácil aprender sobre os problemas do planeta Terra. É possível obter uma compreensão imediata sobre questões como a poluição ambiental, a pobreza e a fome pela televisão e por outros meios de comunicação. E então, consciente de ser um cidadão planetário e da responsabilidade que isso implica, a pessoa faz o máximo que puder no local onde vive para estimular a ação a fim de lidar com esses problemas. Esse é o espírito que está incorporado no lema de René Dubos: “Pensar globalmente, agir localmente”.

Independentemente do local em que se encontre, a pessoa sempre encontrará problemas relacionados com ela. Foi assim que comecei com a iniciativa de combater a poluição em Nova York. Observei, então, que muitos dos problemas locais estavam relacionados com os problemas mundiais. É possível pensar numa escala global e agir em sua própria região.

 Em vez de ficarmos presos às limitadas estruturas nacionais ou aos grupos étnicos, devemos expandir nosso campo de visão para o mundo inteiro e para toda a humanidade. Isso é pensar globalmente.

E devemos, ao mesmo tempo, manter os pés bem firmes no local onde vivemos e persistir na ação metódica visando ao melhoramento da sociedade.

(...)

 Não podemos pensar apenas em termos de regiões e vilas. Não se trata de onde mas, sim, do que globalizar. Está claro que não devemos globalizar tudo. Não podemos globalizar boa parte da economia ruim que está destruindo nosso planeta. Mas queremos, sim, globalizar a ética, os códigos de conduta das corporações e os acordos e tratados de proteção dos direitos humanos. Devemos criar padrões de locais de trabalho e conservar nosso meio ambiente.

Na Nova York dos anos 1960, estava claro que todas as pessoas precisavam de ar puro para respirar, onde quer que estivessem. O ar se movimenta por todo o planeta. Ainda creio que todas as pessoas têm a capacidade de compreender as interconexões. A ideia de que não somos espertos o bastante é ridícula. Nós empregamos apenas dez por cento da capacidade de nosso cérebro, subestimando assim nosso potencial humano de aumentar a consciência interplanetária.

(...)

 A questão da globalização hoje e no futuro está no tipo de mundo que se quer construir. O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Boutros Boutros-Ghali, disse-me em 1998 que, considerando a globalização das questões financeiras, ambientais e de saúde, os problemas domésticos não podem ser solucionados sem que se trate também das questões internacionais. Ele disse que as pessoas não devem se interessar apenas com o que acontece em seu país mas também com as condições internacionais. As pessoas não se sentem à vontade quando se veem diante da internacionalização e se retiram para suas pequenas “vilas” (região ou Estado) e tradições, manifestando a tendência de evitar os encontros com estrangeiros. A isso ele denominou novo isolacionismo.

Eu observei a mesma tendência. Mas o isolacionismo não é mais aceitável.

Exatamente. A globalização baseada na competição também intensifica a disparidade na riqueza e outros males. Se continuar como está, ela prejudicará gravemente o ambiente global e repetirá, de diferentes formas, as mesmas tragédias impostas pelo imperialismo e pelo colonialismo até a primeira metade do século 20.

Portanto, insisto na necessidade da elaboração de leis internacionais para a globalização e para a criação de uma sociedade diversificada, cooperativa e global. Para essa finalidade, cada indivíduo deve mudar seu modo de agir.

As coisas estão funcionando agora de acordo com a lei da selva: o forte fica mais forte e o fraco fica cada vez mais fraco. Se essa situação continuar, a diferença entre ricos e pobres aumentará numa escala global. Devemos abandonar a lei da selva e adotar uma consciência cooperativa com a qual todos possam se tornar felizes e vitoriosos. Nossas ações devem ensejar um modo de vida que permita a todas as pessoas cria­rem valor social para que possamos construir uma sociedade global justa e compassiva.


quinta-feira, 16 de setembro de 2021

três perspectivas de desastre total

 

soka gakkai

 Dentre os muitos livros de sua autoria, há uma divertida previsão do futuro que a senhora escreveu com seu neto Brendan. A história se passa no ano 2050, quando Brendan, com 60 anos, está morando em Xangai. Ele escreve uma carta para a senhora contando como os problemas ambientais foram solucionados a ponto de Xangai ter um céu límpido e azul.

Sim. Na verdade, trata-se de um artigo que integra o livro Imagine, com quarenta ensaios, editado por Marianne Williamson. Fala de como estará a natureza daqui a cinquenta anos. Eu e Brendan conversamos sobre isso por telefone. Ele se preocupa muito com as mesmas coisas que me interessam. Já que, provavelmente, não estarei viva no ano 2050 (nessa história, eu morro em 2023), ele escreve a carta recordando os vários diálogos que tivemos.

Na última vez que nos encontramos, a senhora mostrou-me uma fotografia de Brendan. Deu para notar que ele compartilha seu interesse pelo mundo com todo entusiasmo. Esperamos muito dele.

Obrigada. Devemos assegurar que o mundo seja um lugar melhor quando Brendan e sua geração crescerem. A razão pela qual escrevi esse ensaio com ele foi para proporcionar às pessoas uma visão clara e concreta de como as coisas podem funcionar. Precisamos de uma história razoável sobre como é possível chegar lá. Achei muito viáveis as propostas positivas apresentadas em nosso diálogo.

As discussões a respeito do meio ambiente tendem a parecer pessimistas. Mas a senhora, mesmo criticando dura­mente a política e a economia atuais, nunca perde o otimismo.

 A revista The New Scientist, de Londres, apresentou em detalhes, numa edição especial, três perspectivas de desastre total — aquecimento global, poluição e escassez de alimentos. Os futurólogos usam os cenários sombrios por causa da gran­de incerteza diante de nós e porque a ação humana é sempre a chave para a mudança. Mas eu me cansei das perspectivas negativas; elas, algumas vezes, deixam as pessoas tão assustadas que nem sabem o que fazer. É por isso que proponho as pers­pectivas positivas, embora esteja ciente dos aspectos negativos.

Creio que meu otimismo é expressão da energia vital e da disposição que todos os seres humanos e todas as formas de vida compartilham.

É uma observação de grande significado. O economista John Kenneth Galbraith disse que as pessoas que creem poder contribuir com algo puro e bom para o mundo fazem um esforço muito mais decidido que aquelas que não acreditam nisso. Ele está convicto de que os cidadãos positivos e construtivos devem ser otimistas, entusiastas, sociáveis e dinâmicos.

(...)

 Há diferentes papéis para diferentes pessoas e todas possuem uma distinta personalidade ou modo de lidar com os desafios da vida. Seja qual for o carma da pessoa, é preciso respeitar isso e compreender que ela faz parte de um grande continuum.

 O budismo ilustra isso por meio do conceito de que um belo jardim de felicidade e coexistência pacífica é possível se todas as árvores que dele fazem parte — a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro e o damasqueiro — manifestarem plenamente sua individualidade em vez de sentirem inveja e competirem umas com as outras. Nesse sentido, são pontos de extrema importância manifestar a individualidade na consciência da aliança como também reconhecer a individualidade dos outros membros.


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

como empregar nossa energia vita

 

soka gakkai

Quando descobrirmos como empregar nossa energia vital para a criação e a preservação da vida humana e do cosmos e quando compreendermos como viver em verdadeira harmonia com o Universo, o ensinamento da unicidade da vida e do seu ambiente se tornará a grandiosa filosofia prática capaz de salvar a humanidade.


a função da linha da vida

 

soka gakkai

Se os seres humanos abrirem os olhos para o ritmo harmonioso do Universo e coexistirem de modo pacífico com todas as formas de vida, eles reforçarão a função da linha da vida e irão construir um universo em que a humanidade desfrutará amor, confiança e compaixão plenos e as atividades da mente humana impulsionarão este ser vivo — a natureza — a dar continuidade em seu trabalho criativo. O ritmo harmonioso do corpo cósmico, com a sustentação dos seres vivos que prezam “um único cosmos” irá, por sua vez, sustentar a vida de cada pessoa como se houvesse “uma única vida”. É dessa maneira que deve ser a vida e o comportamento humanos na unicidade da vida e do seu ambiente.


energia vital humana

 

soka gakkai

O ambiente reage à energia vital humana e é transformado por ela. Todos os seres vivos, inclusive os seres humanos, possuem a energia vital que forma seu ambiente e, é claro, reflete sua vida.

É por essa razão que Nichiren Daishonin afirmou: “Sem o corpo, não pode haver sombra; e sem a vida, não existe ambiente. Do mesmo modo, a vida é moldada por seu ambiente” (Ibidem). O ambiente de cada ser vivo varia de acordo com o estado de vida em que cada um se encontra.


o ambiente é como a sombra; e a vida é como o corpo

 

soka gakkai

As dez direções2 são o “ambiente”, e os seres vivos são a “vida”. Para ilustrar, o ambiente é como a sombra; e a vida é como o corpo. Sem o corpo, não pode haver sombra; e sem a vida, não existe ambiente. Do mesmo modo, a vida é moldada por seu ambiente. (CEND, v. I, p. 673)

(...)

Embora a vida humana seja criada pelo mundo da matéria e a atividade espiritual se origine de todos os elementos do Universo, é necessário que os seres humanos procurem manter e cultivar seu meio ambiente. Se não puderem manter nem cultivar o mundo físico como se fosse o próprio corpo, se forem incapazes de empreender reais esforços para aceitar isso, a humanidade não sobreviverá.


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

A missão da sociedade atual para garantir a nossa sobrevivência

 

soka gakkai

Durante a maior parte do tempo estimado de mais 4 bilhões de anos de existência do nosso planeta, somos apenas uma espécie animal, um elemento a mais na ecologia da Terra. Somente nos últimos poucos milênios os seres humanos desenvolveram conhecimentos sofisticados que possibilitaram mudanças significativas nos sistemas naturais do planeta.


Hoje, com seus muitos aspectos positivos, os impactos negativos da civilização científico-tecnológica podem ser sentidos em escala global. A humanidade agora confronta o desafio de um relacionamento novo e muito diferente com o ambiente natural — uma coexistência consciente. O fracasso nesse sentido pode ameaçar nossa própria sobrevivência.


Uma criação contínua

O budismo afirma que a vida interior dos indivíduos corresponde à vastidão do macrocosmo do mundo dos fenômenos. O mundo interior vibra com a ilimitada energia da benevolência, do amor, da sabedoria, da razão, assim como as emoções, os impulsos e os desejos. A cada instante, essa energia surge de dentro para criar, em interação com o lugar onde habitamos, um novo ser, um novo mundo. Quando nosso microcosmo está em harmonia dinâmica, sua energia criativa é comunicada ao mundo em ondas de alegria, encontrando expressão concreta nas ações marcadas pela razão, sabedoria e benevolência. Em contraste, quando o microcosmo perde o ritmo essencial, sua energia assume aspectos destrutivos, agressivos e dominadores, como cobiça e outros impulsos obscuros. Nessas circunstâncias, a vida interior é uma terra desolada. A desertificação exterior corresponde exatamente à desertificação espiritual do ser humano.


A forma como nos relacionamos com nós mesmos (vida interior) está intimamente ligada à maneira como nos relacionamos com nossos companheiros (vida na sociedade). E isso está inextricavelmente ligado a como nos relacionamos com o mundo natural. Seres humanos cujo ambiente interno é despojado e desolado caem facilmente presas de uma espécie de egocentrismo que inevitavelmente se manifesta em atos de dominação, exploração e destruição nos mundos social e natural.


Mas o inverso é verdadeiro. A natureza íntima e mutuamente interativa da ecologia da Terra, da sociedade e da vida interior dos indivíduos significa que a influência harmonizadora da benevolência e da sabedoria, que brota de dentro de cada um e pode ter um efeito transformador positivo até mesmo nos problemas em escala global. A chave para a transformação é a vontade consciente nas profundezas da vida do indivíduo.


Vida e seu ambiente

Focando inicialmente em nossa vida interior — nosso relacionamento com nós mesmos —, o budismo revela e ilumina a lei de causalidade que governa os processos pelos quais tanto os padrões positivos (criativos) quanto os negativos (destrutivos) são registrados, e as energias potenciais também são armazenadas nas profundezas de nossa vida. Ao mesmo tempo, o budismo objetiva direcionar a luz da sabedoria budista para o exterior e revelar a natureza verdadeira e original de todos os fenômenos gerando possibilidades mais criativas nas sociedades e culturas em geral.


O mundo fenomenal constitui uma grande rede de elementos mutuamente interativos e sobrepostos, entrelaçados por fios da causalidade. Essa rede de relacionamento se estende para o exterior abrangendo os mais distantes limites do universo. Dessa forma, o budismo vê todos os fenômenos do universo — não somente aqueles que são explicitamente vivos do ponto de vista biológico — como partes integrantes da vida humana.


Escrevendo em 1903, Tsunesaburo Makiguchi (1871—1944), presidente fundador da Soka Gakkai, analisou a relação entre as pessoas e a geografia onde habitam. Ele percebeu inicialmente que os seres humanos se engajam tanto em relações físicas quanto espirituais no meio em que vivem e então classificou as interações espirituais em cognitivas, analíticas e utilitárias; e as relações com o mundo natural como estéticas, morais, empáticas, de espírito público e religiosas. Em uma passagem sobre nossas relações empáticas com a natureza, ele escreveu: “A montanha, que até agora se elevava como algo diferente e separado, é reconhecida como parte do mundo, com o ser com o qual existe em relacionamento mútuo. A montanha torna-se um ser com sentidos, e nossas relações com ela refletem isso. O ser torna-se uno com a montanha, partilhando suas tristezas e alegrias e vivenciando seu destino”.


Em nossa história como espécie, os humanos consideram a natureza com intensos sentimentos de espanto diante de sua força e gratidão por seus ilimitados benefícios. O progresso da tecnologia científica, contudo, atenuou esses sentimentos, e consideramos a natureza como algo exterior, um mundo reificado a ser dominado e conquistado em prol da nossa prosperidade material. A visão de Makiguchi de uma ecologia humano-natural é de parceria e coexistência cooperativa dentro da grande força universal da vida.


A missão da humanidade

Ao aceitar a validade das interações práticas ou utilitárias entre os parceiros (nosso “uso” da natureza e o “uso” de nós pela natureza), Makiguchi descreve uma rede multifacetada de interações, afirmando o significado e a importância de cada uma de nossas formas de inter-relacionamento como nosso ambiente. Entre elas, a religião pode fortalecer a capacidade humana de encontrar a natureza com profundos sentimentos de espanto e alegria pelos trabalhos criativos do universo.


O estado do nosso ambiente pode ser compreendido como a sombra lançada pelo “corpo, que é a entidade de vida, ou seja, nós mesmos. Sem o corpo, não há sombra. A entidade de vida e seu ambiente são inseparáveis. Ao mesmo tempo em que reconhece a influência do meio ambiente em nossa vida, o budismo vê os seres humanos como protagonistas de mudanças positivas e nos encoraja a desenvolver uma consciência do planeta como um todo nos inspirando a ter responsabilidade particular de proteger e trabalhar para reunir todas as formas de vida em harmonia. Nossa missão em relação aos outros seres vivos é contribuir para a criação de valor dentro da biosfera da Terra.


De uma perspectiva evolucionista, a autoconsciência da humanidade nos proporciona um lugar especial na evolução física, química e biológica que já está em movimento há 14 bilhões de anos, desde o Big Bang. Os seres humanos são capazes de perceber os ritmos e as leis — especificamente a lei de causa e efeito — que guiam o crescimento e desenvolvimento dos sistemas naturais. Nesse sentido, a missão dos seres humanos é contribuir como participantes conscientes para a evolução criativa do universo.


Quando uma clara percepção dessa sublime missão informar e direcionar todos os nossos esforços nos campos da ciência e tecnologia e em nossos sistemas sociais, políticos e econômicos, descobriremos uma abordagem verdadeiramente humanista — no melhor sentido da palavra — para resolver os muitos problemas e desafios que enfrentamos.


Queime as lenhas

  O budismo ensina como converter imediatamente o maior sofrimento em grande alegria. O que garante isso é o princípio “desejos mundanos são...