— Palavras calorosas a cada pessoa: esse é o primeiro passo de uma orientação.
terça-feira, 1 de março de 2022
A essência do budismo
A essência do budismo se encontra no sentimento e nas ações pelo encorajamento das pessoas. A Lei que uma pessoa abraça brilha intensamente em seu comportamento.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022
Grande Palácio da Sabedoria
“ Uma pessoa se torna ciente do veículo do buda dentro dela e entra no palácio da própria vida. Recitar Nam-myoho-renge-kyo significa entrar no palácio da própria vida” (OTT, p. 209). Esse trecho ensina que nossa vida, em si, é uma expressão da Lei Mística e que o majestoso palácio da felicidade existe dentro do nosso próprio coração."*
"Tanto a própria pessoa como as outras sentirão alegria pela posse da sabedoria e compaixão' (Ibidem, p. 146) *A fé na Lei Mística nos habilita a extrair do palácio da nossa vida a sabedoria para romper qualquer impasse. Também representa o Ohayou Gozaimasu
Gambarimasho.
“ Uma pessoa se torna ciente do veículo do buda dentro dela e entra no palácio da própria vida. Recitar Nam-myoho-renge-kyo significa entrar no palácio da própria vida” (OTT, p. 209). Esse trecho ensina que nossa vida, em si, é uma expressão da Lei Mística e que o majestoso palácio da felicidade existe dentro do nosso próprio coração."*
"Tanto a própria pessoa como as outras sentirão alegria pela posse da sabedoria e compaixão' (Ibidem, p. 146) A fé na Lei Mística nos habilita a extrair do palácio da nossa vida a sabedoria para romper qualquer impasse. Também representa o manancial da compaixão em nossos esforços para nos encorajarmos mutuamente e, juntos, revitalizarmos nossa vida, acreditando no potencial de cada pessoa para atingir o estado de buda." - Kaneko Ikeda
BS+ "Mensagem - 10/02/21"
“ Nam Myoho Renge Kyo “ da compaixão em nossos esforços para nos encorajarmos mutuamente e, juntos, revitalizarmos nossa vida, acreditando no potencial de cada pessoa para atingir o estado de buda."* - Kaneko Ikeda
terça-feira, 19 de outubro de 2021
Sete maneiras de fazer oferecimentos ás pessoas
Uma escritura budista explica que existem sete maneiras de fazer oferecimentos às pessoas sem envolver dinheiro ou bens materiais.
A primeira são os “oferecimentos do olhar” — sempre se encontrar com as pessoas com um olhar benevolente.
A segunda são os “oferecimentos do semblante” — encontrar-se com os outros com uma expressão radiante no rosto, e não com uma carranca!
A terceira são os “oferecimentos da palavra” — dirigir-se aos outros com palavras gentis e não com uma linguagem grosseira e abrasiva. Vamos sempre tentar nos comunicar por meio de palavras que façam as pessoas se sentirem tranquilas com o coração iluminado.
A quarta são os “oferecimentos da atitude” — demonstrar respeito aos outros.
A quinta são os “oferecimentos do coração” — tratar os outros de forma calorosa e se empenhar para realizar o bem. Palavras sinceras e uma atitude benevolente não são suficientes. Sustentando tudo isso deve haver um “coração” que seja da mesma maneira amável e benevolente.
A sexta são os “oferecimentos do lugar” — proporcionar cadeiras para os outros se sentarem. Isso pode ser visto, por exemplo, no respeito e na deferência que demonstramos àqueles que percorreram longas distâncias para participar de uma reunião, indicando-lhes os primeiros lugares da sala e tentando fazê-los sentirem-se confortáveis.
A sétima são os “oferecimentos da moradia” — convidar aqueles que vieram nos ver para irem à nossa casa. Podemos agradecer a cada um, por exemplo, com “Muito obrigado por ter vindo. Por favor, não gostaria de entrar?”. As pessoas que oferecem a casa para a realização de reuniões estão agindo da forma mais digna de respeito.
Sakyamuni também incentivava seus discípulos a cultivar “ações virtuosas”, “palavras virtuosas” e “pensamentos virtuosos”.
Os associados da SGI estão agindo com benevolência por meio de ações, palavras e pensamentos — as três categorias da ação. Tratar os filhos do Buda de maneira desumana é denegrir o budismo. Isso é o mesmo que caluniar a Lei. Quando precisarmos dizer algo de forma rigorosa a alguém, primeiro devemos recitar bastante daimoku direcionado para essa questão e depois conversar com a pessoa com base em um espírito benevolente de sincera preocupação com sua felicidade.
A boa sorte e o benefício de levar esperança aos amigos
Em última análise, aqueles que apenas tentam salientar e criticar as falhas dos demais desmoralizarão a si próprios e serão destruídos pela sua própria feiura. No final, essas pessoas sofrerão. Em contraste, os esforços daqueles que encorajam e apoiam os outros de todo o coração serão transformados na própria boa sorte e benefício. Onde estiverem, inclusive os iniciantes na prática da fé, as pessoas atuarão como divindades budistas trabalhando para protegê-los. É assim que funciona o princípio de “simultaneidade de causa e efeito”.
Multiplique por 10.000
No idioma japonês encontramos a palavra hagemashi, que significa “encorajamento” ou “incentivo”. Esse termo é composto pelos ideogramas de “dez mil” ou “ilimitada força”, ou seja, ao incentivar uma pessoa, manifestamos a força de dez mil, fazendo com que a pessoa que está sofrendo consiga superar as dificuldades não importando a circunstância em que se encontre.
Com grande compaixão, Daishonin incentiva a monja leiga Toki em um momento no qual ela sofre com a doença, transmitindo-lhe convicção sobre a melhora de seu estado de saúde. Neste escrito, o Buda tranquiliza sua discípula e a direciona a manter a postura diante das dificuldades e não a ser levada pela maldade da doença.
Cada vez mais a SGI vem cumprindo o legado deixado pelo buda Nichiren Daishonin nos dias atuais. Em um trecho da explanação do presidente Ikeda deste escrito consta: “O espírito humanista de valorizar cada indivíduo são a síntese do budismo e a marca da Soka Gakkai. Confirmo isso inteiramente. Em meus encontros diretos com as pessoas, bem como por meio de cartas e respostas aos relatórios e comunicações das atividades dos membros, dediquei toda a minha vida para incentivá-las, considerando cada encontro uma oportunidade única e preciosa que não deixaria passar”. (...) “Diálogo de vida a vida e incentivo de vida a vida — são a essência da filosofia do budismo e o espírito central de toda religião.”
Nichiren Daishonin elogia a atitude devotada de sua discípula de cuidar da sogra acamada, que na época estava com 90 anos e que contou com sua assistência até o dia em que faleceu serenamente. Daishonin compartilha também que seu marido (Toki Jonin) tinha lhe dito quão profundamente grato estava pelo carinho que ela havia dedicado à mãe dele em seus últimos dias. Em sua explanação o presidente Ikeda enfatiza: “Muitos japoneses, ainda hoje, têm dificuldade em expressar diretamente a sua gratidão com suas esposas, mesmo que em seu íntimo tenha esse sentimento. De toda forma, esta passagem representa a grande compaixão de Nichiren Daishonin com o casal. A manifestação concreta do humanismo budista é justamente o sensível, preocupado e afetuoso incentivo.”
A chave para nos levantarmos tal como a monja leiga Toki é o daimoku. Em sua explanação o presidente Ikeda afirma: “A vida daqueles que recitam daimoku incorpora o princípio de que os desejos mundanos são iluminação. Eles já são vitoriosos. Eles estão vencendo, elevando-se acima de todo sofrimento” (Ibidem).
Manifestando a empatia por nossos companheiros e incentivando-os com o coração repleto de compaixão, empoderando com a “força de dez mil” e nutrindo a grande rede de incentivos que é a nossa organização, vamos avançar continuamente, e também nos esforçar na prática da fé mantendo uma digna postura diante das dificuldades.
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
Quando ajudamos os outros a se tornarem felizes, nós também nos tornamos felizes
Quando ajudamos os outros a se tornarem felizes, nós também nos tornamos felizes. Esse é também um princípio da psicologia.
Como aqueles que estão sofrendo nas profundezas da vida, a ponto de perder a vontade de viver, podem se reerguer? Se eles pensarem somente em seus próprios problemas, irão se afundar ainda mais no desespero. Porém, o simples ato de ir ao encontro das pessoas que também estão sofrendo e oferecer-lhes apoio possibilita-lhes reaver a vontade de viver. A ação que realizamos preocupados com os outros nos permite fortalecer a nossa vida.
Há muitas pessoas que acreditam que trabalhar pelo bem-estar dos outros é, de alguma forma, uma causa perdida. Alguns até veem com desprezo a simples menção do amor compassivo. Tal arrogância e descaso pelas pessoas gera um grande sofrimento à sociedade.
Certa vez, um missionário perguntou a Mahatma Gandhi: “Que religião o senhor pratica e que tipo de religião o senhor acha que influenciará a Índia no futuro?”
Havia duas pessoas enfermas na sala. Apontando para elas, Gandhi apenas respondeu: “Minha religião é servir às pessoas e trabalhar em prol delas. Não estou preocupado com o futuro”.
Para Gandhi, a política e o governo também deveriam servir às pessoas e, como disse o poeta indiano Rabindranath Tagore, “devemos trabalhar pelo mais necessitado”.
Tudo se resume à ação. A prática altruística de um bodisatva2 é a essência da religião, do budismo e também do governo e da educação. Nós temos uma grandiosa missão.
[Nichiren] Daishonin declara: “Mais valioso que o tesouro do cofre é o do corpo. Porém, nenhum é mais valioso que o tesouro do coração”.3 A atitude de focar somente no “tesouro do cofre” — finanças ou economia — não melhorará a situação econômica. As coisas podem melhorar por algum tempo, mas isso definitivamente não contribuirá para o bem da sociedade. O mais importante são as pessoas, o coração. O coração é o que determina tudo. Quando possuímos o “tesouro do coração”, pelo qual nossa vida transborda de boa sorte e sabedoria, naturalmente incorporamos o abundante “tesouro do corpo” e o “tesouro do cofre”.
O que restará quando nossa existência chegar ao fim? As memórias que estão profundamente gravadas em nossa vida.
Encontrei-me com o romancista russo Mikhail Sholokhov (1905–1984) quando visitei Moscou em 1974. Ele me disse: “Quanto mais tempo vivemos, mais difícil fica lembrar das experiências dolorosas. À medida que o tempo passa, as cores dos eventos em nossa vida vão enfraquecendo e tudo, os momentos mais alegres e os mais tristes, começa a desaparecer de nossa memória”. Após tomar fôlego, ele afirmou com um largo sorriso: “Quando o senhor chegar aos 70 anos, saberá que o que estou dizendo é verdade”. Suas palavras me transmitiram grande emoção.
Tudo passa. Tanto as inebriantes alegrias como os dilacerantes sofrimentos se desvanecem como um sonho. No entanto, gostaria de afirmar que a lembrança de termos vivido ao máximo a própria existência jamais desaparecerá.
(...)
Tudo o que permanece e adorna nossa vida no fim é o que fizemos ou a forma como contribuímos para o mundo durante a nossa existência, sabendo quantas pessoas ajudamos a se tornarem felizes e quantas pessoas são gratas por termos ajudado a transformar a vida delas para melhor.
a prova real das “maravilhosas funções da mente”.
Na época de Shakyamuni, havia uma mulher que tinha acabado de perder sua amada criança em consequência de uma doença. Alucinada com essa perda, ela vagou pelo vilarejo carregando-a no colo e implorou por ajuda a todos que encontrava: “Por favor, dê-me um remédio para curar meu bebê!”.
Sentindo pena dela, uma dessas pessoas a levou ao encontro de Shakyamuni. Ao ouvir sua história, ele disse: “Não se atormente. Eu lhe darei um bom remédio. Vá até o vilarejo e me traga sementes de mostarda. Porém, as sementes devem ser de uma família que não tenha perdido nenhum ente querido”.
Nessa busca, a mulher percorreu todo o vilarejo, batendo de porta em porta, mas não havia uma família sequer que não tivesse perdido um ente querido. Ela finalmente compreendeu que todos os seres humanos morrem e que ela não era a única a sofrer com isso. Assim, entendeu a eternidade da vida, tornou-se uma seguidora de Shakyamuni e, tempos depois, passou a ser uma pessoa respeitada como uma grande sábia.
Ao usar os meios apropriados e direcioná-la a buscar por sementes de mostarda, Shakyamuni a libertou e restaurou a paz no coração dessa mulher que estava mergulhada em profunda dor. Ele a conduziu para o despertar de profunda sabedoria embasada na eternidade da vida.
O mais importante é expandir nosso estado de vida. Quando pensamos somente em nós, ficamos aprisionados num nível inferior. Em contrapartida, quando nos dedicamos a um objetivo maior e abrangente — pela Lei, pela felicidade das pessoas e pelo bem-estar da sociedade —, nosso coração se expande e nos tornamos grandiosos por meio das “maravilhosas funções da mente”.
Quando mantemos um coração sincero, usufruímos da imensa e verdadeira felicidade. Sofrimentos que, no primeiro instante, eram um fardo numa condição de vida inferior serão insignificantes e nos tornaremos capazes de nos elevar calmamente acima deles.
E quanto maiores forem as nossas preocupações e os nossos sofrimentos, maior será a felicidade que alcançaremos ao transformá-los por meio do poder do Nam-myoho-renge-kyo.
Espero que todos vocês vivam existências em que demonstrem tal brilho e a prova real das “maravilhosas funções da mente”.
sábado, 4 de setembro de 2021
um princípio da psicologia
Quando ajudamos os outros a se tornarem felizes, nós também nos tornamos felizes. Esse é também um princípio da psicologia.
Como aqueles que estão sofrendo nas profundezas da vida, a ponto de perder a vontade de viver, podem se reerguer? Se eles pensarem somente em seus próprios problemas, irão se afundar ainda mais no desespero. Porém, o simples ato de ir ao encontro das pessoas que também estão sofrendo e oferecer-lhes apoio possibilita-lhes reaver a vontade de viver. A ação que realizamos preocupados com os outros nos permite fortalecer a nossa vida.
Há muitas pessoas que acreditam que trabalhar pelo bem-estar dos outros é, de alguma forma, uma causa perdida. Alguns até veem com desprezo a simples menção do amor compassivo. Tal arrogância e descaso pelas pessoas gera um grande sofrimento à sociedade.
Certa vez, um missionário perguntou a Mahatma Gandhi: “Que religião o senhor pratica e que tipo de religião o senhor acha que influenciará a Índia no futuro?”
Havia duas pessoas enfermas na sala. Apontando para elas, Gandhi apenas respondeu: “Minha religião é servir às pessoas e trabalhar em prol delas. Não estou preocupado com o futuro”.
Para Gandhi, a política e o governo também deveriam servir às pessoas e, como disse o poeta indiano Rabindranath Tagore, “devemos trabalhar pelo mais necessitado”.
Tudo se resume à ação. A prática altruística de um bodisatva2 é a essência da religião, do budismo e também do governo e da educação. Nós temos uma grandiosa missão.
[Nichiren] Daishonin declara: “Mais valioso que o tesouro do cofre é o do corpo. Porém, nenhum é mais valioso que o tesouro do coração”.3 A atitude de focar somente no “tesouro do cofre” — finanças ou economia — não melhorará a situação econômica. As coisas podem melhorar por algum tempo, mas isso definitivamente não contribuirá para o bem da sociedade. O mais importante são as pessoas, o coração. O coração é o que determina tudo. Quando possuímos o “tesouro do coração”, pelo qual nossa vida transborda de boa sorte e sabedoria, naturalmente incorporamos o abundante “tesouro do corpo” e o “tesouro do cofre”.
O que restará quando nossa existência chegar ao fim? As memórias que estão profundamente gravadas em nossa vida.
Encontrei-me com o romancista russo Mikhail Sholokhov (1905–1984) quando visitei Moscou em 1974. Ele me disse: “Quanto mais tempo vivemos, mais difícil fica lembrar das experiências dolorosas. À medida que o tempo passa, as cores dos eventos em nossa vida vão enfraquecendo e tudo, os momentos mais alegres e os mais tristes, começa a desaparecer de nossa memória”. Após tomar fôlego, ele afirmou com um largo sorriso: “Quando o senhor chegar aos 70 anos, saberá que o que estou dizendo é verdade”. Suas palavras me transmitiram grande emoção.
Tudo passa. Tanto as inebriantes alegrias como os dilacerantes sofrimentos se desvanecem como um sonho. No entanto, gostaria de afirmar que a lembrança de termos vivido ao máximo a própria existência jamais desaparecerá.
(...)
Tudo o que permanece e adorna nossa vida no fim é o que fizemos ou a forma como contribuímos para o mundo durante a nossa existência, sabendo quantas pessoas ajudamos a se tornarem felizes e quantas pessoas são gratas por termos ajudado a transformar a vida delas para melhor
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
Homem de bom senso que zelava pelas pessoas
O Buda nunca pode ser tratado como divindade inalcançável, mas como pessoa comum que, mergulhada em problemas reais, vive de forma nobre, corajosa e coerente com o propósito original da vida: ser feliz se dedicando à felicidade das pessoas.
Shakyamuni viveu há cerca de 2.500 anos na região norte-central da Índia e se devotou incansavelmente a descobrir a natureza da Lei. Pensador de proporções gigantescas, ele persistiu nos seus esforços para desvendar a fonte da criação e libertar a existência humana de todos os impedimentos, em benefício dos seres humanos das eras posteriores.
O maior objetivo do budismo é descobrir como é a Lei que o Buda descobriu e praticou. E desvendar a forma de outras pessoas também manifestarem no cotidiano essa mesma Lei. Tudo isso, sem divinizar o Buda.
Homem de bom senso que zelava pelas pessoas
O fundador do budismo era imperturbável em sua busca interior; de personalidade calorosa, respeitoso com as pessoas que precisavam de apoio e rigoroso com os líderes. Uma pessoa de bom senso, confiável e amável.
O presidente Ikeda relata: “Tenho na mente a imagem do tipo de pessoa que ele deva ter sido — um homem que, por mais pressionado que fosse para escolher entre uma proposição filosófica e outra, nunca se esqueceu de sorrir. Um sábio que, às vezes com um ar de distanciamento, em outras com um ar de orgulho, e noutras ocasiões silenciosa e serenamente percorreu imperturbável seu caminho.”
Shakyamuni não pretendia fundar uma religião — ele revelou em si a Lei última da vida e se dedicava sinceramente a cuidar de pessoas, transmitindo a elas a lei que ele mesmo havia descoberto; seu jeito de agir, sua atraente filosofia de vida e a forma como transmitia essa lei é que mais tarde foram denominadas budismo.
Ele foi, sim, um homem que, em linguagem quase espantosamente simples e natural, utilizando pequenas histórias e analogias que podiam ser compreendidas por todos, procurou despertar em cada indivíduo o espírito que reside no ser interior de todas as pessoas. Quando fala à humanidade em sua maneira despretensiosa, percebe-se nas palavras claras e simples ecos de um outro reino, aquele de um homem realmente iluminado que lutou contra a escuridão em si mesmo e venceu, chegando à determinação final da verdade.
O Buda arriscou a vida por anos a fio em busca da iluminação, do reino interior mais profundo. Ao tomar contato com essa lei, se dedicou a ensiná-la com clareza, paciência e profundo respeito às pessoas, principalmente às que mais sofriam.
Um jovem humanista e buscador da verdade
Shakyamuni era filho de rei e deve ter passado pelo tipo de treinamento que o prepararia para assumir o trono do pai no momento apropriado. A lenda diz que sua mãe fez o filho receber instruções em artes civis e militares.
O clã Shakya, onde nasceu, não era tão grande nem poderoso e a expectativa no jovem era enorme. Mas Shakyamuni era por natureza um jovem muito introspectivo e de pendores filosóficos. Acredito que o jovem Shakyamuni possa ser descrito como um humanista e buscador da verdade, que possuía um agudo senso de justiça.
Ele se casou aos 16 ou aos 19 anos, conforme a fonte de estudo, e teve um filho chamado Rahula. Mas o jovem não conseguia banir da sua mente a profunda angústia que sentia com as questões do envelhecimento, da doença e da morte.
Aos 19 anos decidiu renunciar ao luxo e à família em busca de respostas sobre a raiz da vida. Essa escolha mudou não só a vida dele mas de toda a história espiritual do mundo. Dois professores lhe ensinaram muitas coisas mas a angústia continuava. Praticou mortificações religiosas até se reduzir a um estado de definhamento, mas ainda não conseguia chegar à essência da vida. Então, caiu em profunda meditação ao pé de uma figueira numa floresta e obteve a iluminação. Segundo fontes, foram dez anos de esforço.
O que movia Shakyamuni era seu desejo ardente de achar meios para transcender os sofrimentos inerentes à vida humana.
Iluminação é a vitória completa sobre a negatividade mental
Os últimos momentos antes da iluminação de Shakyamuni são dramáticos. As forças negativas mentais mais profundas e amedrontadoras tentavam de tudo para fazê-lo desistir; em seu íntimo, um turbilhão de emoções — mas ele as desafiou de frente e não arredou o pé nem um centímetro. Ele não se deixava distrair por nada e lutava concentrado em busca da sua meta.
Ao vencer a camada mais profunda da negatividade, atingiu a iluminação nas primeiras luzes do dia depois de mais uma noite inteira de busca. Ele sentiu sua vida desabrochar e num relâmpago discerniu a realidade final das coisas. Nesse momento de iluminação, ele se tornou um buda e nasceu a fé budista, que estava destinada a produzir um impacto imensurável sobre a história da humanidade.
Sua iluminação não era apenas a descoberta de um pensador ou de um gênio. A iluminação de Shakyamuni foi universal, profunda, fundamental o suficiente para transformar o destino e o sofrimento do indivíduo que a apreende. É o único estado de vida que pode mudar o destino da pessoa e lhe abrir um futuro infinito. A iluminação por ele alcançada foi do mais alto nível possível. Que alegria, que bem-aventurança ele deve ter sentido.
Pelo resto de sua vida, o Buda esteve comprometido com o propósito de manter e propagar seu estado de vida pelo bem das pessoas.
Linhagem humanista: de Shakyamuni à SGI
O que Shakyamuni alcançou sob a árvore Bodhi foi a apreensão intuitiva da essência da vida. Ele viveu até o último suspiro ensinando às pessoas como manifestar a mesma condição que a dele.
Ao longo dos séculos, as pessoas divinizaram o Buda e nenhuma prática religiosa era capaz de fazer uma pessoa comum florescer em si a iluminação.
O Buda Nichiren Daishonin, no século 13, no Japão, clamou o retorno ao Shakyamuni humano e por meio do Sutra do Lótus, o principal ensinamento do fundador do budismo, revelou o Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo, cuja prática e propagação permitem novamente a qualquer indivíduo do povo manifestar o estado de buda. Hoje, a fé para se alcançar na vida cotidiana essa mesma condição é encontrada na SGI, a herdeira direta da linhagem humanista do budismo.
Concluímo com a afirmação do presidente Ikeda: “A felicidade de todas as pessoas, ou seja, o estabelecimento de uma religião em prol do bem-estar dos seres humanos, é uma linhagem desde Shakyamuni, Sutra do Lótus, Nichiren Daishonin, Makiguchi sensei até a Soka Gakkai atualmente. Essa é também a linhagem da revolução religiosa — o combate à natureza demoníaca que causa o sofrimento humano”
O importante é encorajar as pessoas com palavras calorosas
Todos nós enfrentamos vários problemas e desafios na vida diária. E talvez nem sempre as coisas ocorram da maneira como esperamos ou planejamos. Recordo-me das palavras da Dra. Lygia Pupatto, ex-reitora da Universidade Federal de Londrina, no Brasil. A renomada educadora e especialista em Botânica disse aos estudantes das escolas Soka de Kansai (em 12 de abril de 2004): “Quando olhamos para as plantas no inverno, elas não têm flores nem folhas. Parecem até que não estão vivas, mas isso não é verdade. Elas estão apenas aguardando a época certa para florescer. Estão esperando o momento certo para elas. (...) Da mesma maneira, vocês precisam acreditar em sua força interior e em sua sabedoria e utilizá-las para superar quaisquer dificuldades ou problemas”. Concordo plenamente com estas palavras da Dra. Pupatto. Elas fortaleceram ainda mais minha convicção de quão importante é encorajar as pessoas com palavras calorosas, especialmente quando elas estão passando pelo inverno de adversidades.
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
sete maneiras de fazer oferecimentos às pessoas
Uma escritura budista explica que existem sete maneiras de fazer oferecimentos às pessoas sem envolver dinheiro ou bens materiais.
A primeira são os “oferecimentos do olhar” — sempre se encontrar com as pessoas com um olhar benevolente.
A segunda são os “oferecimentos do semblante” — encontrar-se com os outros com uma expressão radiante no rosto, e não com uma carranca!
A terceira são os “oferecimentos da palavra” — dirigir-se aos outros com palavras gentis e não com uma linguagem grosseira e abrasiva. Vamos sempre tentar nos comunicar por meio de palavras que façam as pessoas se sentirem tranquilas com o coração iluminado.
A quarta são os “oferecimentos da atitude” — demonstrar respeito aos outros.
A quinta são os “oferecimentos do coração” — tratar os outros de forma calorosa e se empenhar para realizar o bem. Palavras sinceras e uma atitude benevolente não são suficientes. Sustentando tudo isso deve haver um “coração” que seja da mesma maneira amável e benevolente.
A sexta são os “oferecimentos do lugar” — proporcionar cadeiras para os outros se sentarem. Isso pode ser visto, por exemplo, no respeito e na deferência que demonstramos àqueles que percorreram longas distâncias para participar de uma reunião, indicando-lhes os primeiros lugares da sala e tentando fazê-los sentirem-se confortáveis.
A sétima são os “oferecimentos da moradia” — convidar aqueles que vieram nos ver para irem à nossa casa. Podemos agradecer a cada um, por exemplo, com “Muito obrigado por ter vindo. Por favor, não gostaria de entrar?”. As pessoas que oferecem a casa para a realização de reuniões estão agindo da forma mais digna de respeito.
Sakyamuni também incentivava seus discípulos a cultivar “ações virtuosas”, “palavras virtuosas” e “pensamentos virtuosos”.
Os associados da SGI estão agindo com benevolência por meio de ações, palavras e pensamentos — as três categorias da ação. Tratar os filhos do budade maneira desumana é denegrir o budismo. Isso é o mesmo que caluniar a Lei. Quando precisarmos dizer algo de forma rigorosa a alguém, primeiro devemos recitar bastante daimoku direcionado para essa questão e depois conversar com a pessoa com base em um espírito benevolente de sincera preocupação com sua felicidade.
A boa sorte e o benefício de levar esperança aos amigos
Em última análise, aqueles que apenas tentam salientar e criticar as falhas dos demais desmoralizarão a si próprios e serão destruídos pela sua própria feiura. No final, essas pessoas sofrerão. Em contraste, os esforços daqueles que encorajam e apoiam os outros de todo o coração serão transformados na própria boa sorte e benefício. Onde estiverem, inclusive os iniciantes na prática da fé, as pessoas atuarão como divindades budistas trabalhando para protegê-los. É assim que funciona o princípio de “simultaneidade de causa e efeito”.
Prezar cada pessoa constitui o ponto de partida da Soka Gakkai
Prezar cada pessoa constitui o ponto de partida da Soka Gakkai. Esse também é o espírito fundamental do Budismo de Nichiren Daishonin, que ensina que todos são preciosos e insubstituíveis, e que possuem inerentemente a nobre natureza de buda.
Líderes autoritários ignoram ou denigrem o valor supremo do ser humano, vendo as pessoas como multidões sem rosto. Isso porque, no que se referem a tais indivíduos, as pessoas são apenas meios para se alcançar um fim, são objetos comparáveis a armas a serem lançados ou recursos a serem gastos. Sujeitos sedentos de poder manipulam astutamente o povo para alimentar a própria ambição, buscando ganhar completo controle sobre o todo.
A abordagem da Soka Gakkai é exatamente oposta, pois o propósito do kosen-rufu é a felicidade de todas as pessoas. Acreditamos no potencial infinito do ser humano, lutamos para ajudar cada um a despertar e revelar esse potencial e trabalhamos para expandir o círculo daqueles que compartilham esse compromisso. Essa tem sido a história do nosso movimento popular até hoje.
Primeiro, o ser humano existe; depois, o todo. Um indivíduo, outro e mais outro constituem uma forte união. Perder de vista esse ponto essencial acarreta consequências terríveis. Qualquer um que veja a Soka Gakkai e seus membros como mero instrumento para implementar alguma plataforma organizacional, assim como os líderes autoritários aqui descritos, tem um coração perverso.
Tudo se resume ao indivíduo! Gostaria de assegurar a vocês que nosso princípio básico consiste em prezar cada pessoa. Concentremo-nos ainda mais em cada pessoa, dando o nosso melhor para encorajá-la e para cultivar o precioso potencial que possui. Quando ela desenvolve força e sabedoria interior, consegue evidenciar o dobro, o triplo ou dez vezes mais a capacidade atual.
Amor abstrato ou Amor Real ?
O Sutra do Lótus é o maior registro da literatura sobre o budismo. Nele encontramos a parábola dos três tipos de ervas medicinais e os dois tipos de árvores, em que destaca a diversidade dos seres vivos. Trata-se da única parábola, entre as sete parábolas do sutra, a abordar esse tema. Ao mesmo tempo, destaca a natureza amplamente inclusiva da compaixão do Buda.
A compaixão do Buda é totalmente imparcial; ela não discrimina. O Buda vê todos como filhos e busca elevá-los ao mesmo estado de buda que ele atingiu.
Isso não quer dizer que não existam diferenças entre as pessoas, mas que o Buda não faz distinção entre elas. De fato, o Buda aprecia totalmente suas diferenças. Ele respeita a individualidade e deseja que sejam capazes de expressar sua singularidade de forma irrestrita.
As diferenças entre elas não são a razão para favorecer algumas e odiar outras. O Buda ama, se alegra e aciona a individualidade, essa é a compaixão e sabedoria do Buda.
É importante compreender que a pregação do Buda é pautada pelo reconhecimento da diversidade entre os seres humanos.
O Sutra do Lótus elucida os meios pelos quais indivíduos reais com suas específicas circunstâncias, personalidades e capacidades podem atingir a iluminação, e revela o caminho para se alcançar o estado de buda sem jamais se desviar da realidade da vida de cada um.
Prezar cada pessoa é a essência da filosofia centrada no ser humano — ou humanismo — do Sutra do Lótus; é o espírito do Buda. O objetivo fundamental do Sutra do Lótus de capacitar todas as pessoas a manifestar a iluminação também se inicia com o ato de prezar cada uma, e só pode ser concretizado quando se aplica tal conduta a todos os aspectos da nossa vida e dos nossos esforços.
É fácil falar de modo abstrato em amar ao próximo ou em amar a humanidade, mas pode ser um grande desafio ter amor ou compaixão por pessoas reais.
Um personagem de um romance de Dostoiévski tece a seguinte observação: “Quanto mais amo a humanidade em geral, menos amo as pessoas, em particular, como indivíduos”.2 E um personagem de outro de seus romances afirma: “No amor abstrato à humanidade, não se ama praticamente ninguém a não ser a si mesmo”.3
A Soka Gakkai, concentrando-se nos seres humanos reais, dedica-se a ajudar cada um a obter a felicidade absoluta. É um nobre legado cujo brilho resplandecerá intensamente na história da humanidade.
O Espírito de Nitiren Daishonin
Em uma carta de Daishonin enviada a Toki Jonin durante o inverno, no frio implacável do Monte Minobu, ele declara:
Estou tão preocupado com a doença de sua esposa, a monja leiga Toki, como se quem estivesse enfermo fosse eu mesmo, e oro dia e noite aos deuses celestiais para que ela se recupere. Ela apoiou o devoto do Sutra do Lótus como se tivesse suprido óleo para as lamparinas, ou amontoado terra em volta das raízes das árvores. Estou rogando aos deuses do Sol e da Lua para que protejam a vida dela mesmo à custa da vida deles! Se houver outras questões que eu tenha me esquecido de mencionar aqui, enviarei uma mensagem tratando do assunto por intermédio de [seu filho] Iyo-bo.7 Esteja certo de que farei tudo o que puder. (WND, v. II, p. 666)
Nichiren Daishonin sempre demonstrava grande interesse e preocupação por aqueles que se empenhavam longe dos holofotes. Ao saber da doença da monja Toki, ele diz que se sente como se o sofrimento fosse dele, e que está orando pelo seu rápido restabelecimento. Esse fato exemplifica perfeitamente a compaixão ilimitada de Daishonin, o Buda dos Últimos Dias da Lei.
Acredito profundamente que esse espírito de Daishonin nos ofereça um exemplo de como devemos viver como praticantes de seus ensinamentos. Em última análise, o que importa não é o poder mundano ou as aparências externas, mas os esforços para prezar — como se a situação dissesse respeito a nós próprios — aqueles que estão sofrendo e os que estão realizando esforços sinceros em prol do kosen-rufu. Nunca devemos nos esquecer de que encorajar e cuidar dos outros dessa maneira compõem a essência da autêntica humanidade.
A Soka Gakkai obteve um notável desenvolvimento e crescimento porque seus membros jamais perderam esse espírito e continuaram se empenhando de corpo e alma pela felicidade das pessoas. Esse fato é tanto um motivo de orgulho como também a força da Soka Gakkai.
segunda-feira, 23 de agosto de 2021
A Diferença entre Piedade e Benevolência
A natureza humana é a causa dos nossos mais terríveis problemas mundiais e é também a fonte da solução fundamental. A força de compensação para o aspecto destrutivo da natureza humana e do sofrimento gerado por ela é a benevolência. Benevolência, um sentimento de solidariedade com as pessoas — com toda a vida — decorrente de um desejo de felicidade e crescimento mútuos, é o coração e a origem do budismo.
Nos textos originais budistas, escritos em sânscrito, o conceito de benevolência é descrito pelas palavras maitri e anukampa. Maitri indica senso de companheirismo com os outros; anukampa descreve uma profunda empatia a qual surge do encontro com o sofrimento e origina a ação. A benevolência budista pode ser descrita como o desejo de aliviar o sofrimento e conceder a alegria.
A benevolência é frequentemente considerada semelhante à pena, mas, enquanto esta pode ser condescendente, a benevolência emerge de um senso de igualdade e da interligação da vida. A benevolência é enraizada no respeito pela dignidade inerente à nossa própria vida e na dos outros e de um desejo de ver o triunfo da dignidade. Como o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, escreveu: “A verdadeira benevolência budista não tem nada a ver com sentimentalismo nem mera piedade. Isso ocorre porque o sentimentalismo ou a benevolência por si só́ não pode ajudar outra pessoa a alcançar a vitória na vida, não pode aliviar o sofrimento e transmitir alegria”.
Como a benevolência genuína é capacitar os outros, ajudando-os a descobrir a força e a coragem de dentro da própria vida, a fim de superarem seus problemas, às vezes ela pode parecer rigorosa ou contraditória. Por exemplo, embora a resolução de uma situação difícil para alguém possa parecer compassiva, se isso o torna mais fraco e menos autoconfiante, não contribuirá́ para a sua felicidade na vida real. A essência da benevolência e da compaixão budista é a capacitação.
O esforço para oferecer aos outros incentivos eficazes para as suas circunstâncias específicas é o que dá origem à sabedoria. Benevolência e sabedoria estão, portanto, intimamente relacionadas. Além disso, mesmo pequenos atos de bondade exigem certo grau de coragem.
Nichiren Daishonin estabeleceu a prática de recitar daimoku como um meio prático para as pessoas fazerem nascer a força e o rico potencial da humanidade e viverem com confiança e alegria. Partilhar essa prática com os demais é, portanto, o ato mais importante de benevolência dos praticantes do Budismo Nichiren.
A transformação da sociedade só́ pode ocorrer por intermédio de uma transformação no coração das pessoas. Uma vida baseada na benevolência significa uma firme fé́ no potencial latente das pessoas e de nós mesmos. É fácil desistir de nós mesmos e dos outros diante do nosso fracasso e da nossa loucura; essa perda de fé́ na humanidade é uma característica do nosso mundo conturbado de hoje. A parte mais essencial da filosofia do Budismo Nichiren é acreditar e incentivar a bondade inata e o potencial de todos. É também a base de um otimismo firme em que as pessoas podem fundamentar suas ações para trazer uma mudança positiva em nosso mundo
o exemplo do bodisatva Jamais Desprezar
Nos últimos tempos as divergências de opiniões e pontos de vista parecem impedir o diálogo e avanço em alguns âmbitos da sociedade. Mas existem maneiras mais sábias de ultrapassar essas questões, estruturas que não anulam a dignidade do outro porque ele é diferente ou pensa diferente de mim.
A princípio você pode pensar que isso é impossível, afinal algumas pessoas parecem estar tomadas pela maldade e só tomam atitudes que prejudicam todos em volta. Mas te convidamos a refletir sobre isso usando o exemplo de uma figura bastante conhecida no budismo: o bodsatva Jamais Desprezar.
Segundo as escrituras budistas, Jamais Desprezar compreendeu que desrespeitar alguém equivale a desrespeitar um buda e também a si próprio. Ele acreditava na natureza de buda presente na vida de todos os seres, e se curvava respeitosamente para cada um com quem se encontrasse.
Em resposta a isso, analisando-se a partir da profunda perspectiva budista em relação à vida, a natureza de buda daquela pessoa também se curvava em reverência retribuindo ao gesto. Isso valia até mesmo para os arrogantes que despejavam insultos sobre ele e o atacavam com varas e pedras.
Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin comenta: “Quando a pessoa olha para o espelho e se curva em reverência, a imagem refletida também faz o mesmo” (OTT, p. 165). Todas as formas de vida mantêm uma relação de mutualidade e interdependência. Se somos preciosos, então os outros também são. Ou melhor, somente quando reconhecemos e afirmamos o valor e a dignidade das pessoas, evidenciamos o brilho do nosso próprio valor e dignidade. Essa percepção compõe a base da coexistência harmoniosa.
Esse modo de pensar é o fundamento da genuína tolerância e oferece uma perspectiva alicerçada na fé nos seres humanos, pois não importando qual seja sua filosofia ou crença, todos possuem o potencial positivo de despertar para a verdade da dignidade da vida.
Nichiren Daishonin declara: “O coração de todos os ensinamentos que o buda expôs ao longo de sua existência é o Sutra de Lótus, e o coração da prática desse sutra se encontra no capítulo bodisatva ‘Jamais Desprezar’. Qual o significado do profundo respeito que o bodisatva Jamais Desprezar sentia por todas as pessoas? O propósito do advento do buda Sakyamuni, o senhor dos ensinamentos, neste mundo reside em seu comportamento como ser humano” (CEND, v. II, p. 113).
Vamos nos esforçar para seguir o exemplo do bodisatva Jamais Desprezar, respeitando os outros da mesma maneira que ele fazia, com nossas ações e nosso comportamento. As diferenças não existem para serem tolhidas e sim para criarem uma rica vivência, onde a certeza de suas escolhas e alegria em ser quem você é, são os maiores motivos para acolher o diferente e conviver bem com ele.
Jamais Desprezar nos ensina uma grande lição de empatia, ao referenciarmos a humanidade presente em todas as vidas. Isso não significa que devemos gostar de todos, mas que todos são dignos de nosso respeito.
sexta-feira, 20 de agosto de 2021
Fortalecendo as nossa relações
O vidro é um material frágil. Se manuseado de maneira errada pode cair, rachar ou se partir em mil pedaços. Podemos fazer uma paralelo com as relações em sociedade nos dias de hoje: frágeis e fragmentadas.
Se relacionar é quase sempre um exercício de sabedoria e compaixão. E quando praticamos o budismo entramos em contato com uma nova perspectiva de olhar para os fatos, visão esta que mostra o significado profundo de tudo o que acontece em nossa vida, e independente de crenças o valor de nossa existência se encontra em nossa atitude do dia a dia.
Para ilustrar, vamos usar um episódio relatado pelo Dr. Daisaku Ikeda com o seu mestre, Jossei Toda:
"Jamais me esquecerei do dia 3 de maio de 1951. Nessa data, Jossei Toda tomou posse como segundo presidente da Soka Gakkai. No fim da cerimônia, ele regeu uma canção com tanto vigor que o jarro e o copo sobre a mesa se chocaram e quebraram. O presidente Toda imediatamente nos ensinou o seguinte:
'O jarro pode alegar:
- Quebrei porque o corpo de vidro bateu em mim.
O copo, por sua vez, pode retrucar:
- Quebrei porque o jarro de vidro bateu em mim.
De fato, eles quebraram porque ambos possuíam inerente um elemento para que isso ocorresse.
O que teria acontecido se o choque fosse entre algodão e um copo de vidro?
Eles nunca se quebrariam.
Na fé é o mesmo. Muitos pensam que são infelizes por causa de outras pessoas. Isso está errado. Se nos tornarmos algodão, ninguém nos quebrará. É inútil culpar os outros. Precisamos mudar nosso próprio destino'.
Valendo-se desse incidente que ocorreu bem diante de nossos olhos, o Sr. Toda nos ensinou, de forma fácil e direta, como a filosofia budista é profunda.
O mesmo se aplica à nossas relações. As circunstâncias não são as responsáveis pelos nossos sofrimentos. É importante que [...] tenham força suficiente para permanecerem inabaláveis quando algo desagradável ocorrer."
A analogia do Sr. toda foi simples, mas carrega uma enorme reflexão sobre a maneira como lidamos e reagimos às circunstâncias do cotidiano. Será que estamos sendo como o vidro nos fragmentando e tornando cada vez mais frágeis as nossas relações? Ou estamos sendo como algodão? Oferecendo alento e neutralizando a vulnerabilidade das pessoas de nosso convívio?
Queime as lenhas
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