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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

A terceira etapa da vida

 

soka gakkai

As escrituras budistas afirmam que Sakyamuni meditou sobre o envelhecimento, a doença e a morte e suplantou os três tipos de arrogância e orgulho: aversão aos idosos é a arrogância dos jovens; aversão aos doentes é a arrogância dos saudáveis; e aversão aos mortos é a arrogância dos vivos.

Esses três tipos de arrogância indicados por Sakyamuni não são, de modo algum, fatos do passado. Ao discutirem os problemas do envelhecimento das sociedades atualmente, as pessoas muitas vezes apontam como causa as mudanças sociais e instituições inadequadas. São fatores importantes, mas acredito que devamos nos concentrar na questão essencial, a arrogância em nosso coração, e ajudarmos a transformar os próprios seres humanos.

As pessoas têm a forte tendência de menosprezar qualquer coisa que seja diferente delas. Em uma palestra que proferi na Universidade Harvard — “O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21” —, em setembro de 1993, referi-me a essa inclinação como uma mentalidade preconceituosa, uma ênfase irracional em diferenças individuais. Sakyamuni descreveu-a como uma flecha invisível que perfura o coração das pessoas.

Agarrando-nos a essa mentalidade preconceituosa, estamos nos humilhando com nossos próprios atos. Estamos nos limitando ao nosso estado atual, recusando-nos a mudar. Enquanto as pessoas ignorarem a realidade do envelhecimento, da doença e da morte estarão rejeitando as próprias possibilidades futuras.

Precisamos modificar nossa atitude em relação ao envelhecimento. A extraordinária experiência de vida que os idosos possuem consiste num tesouro precioso para os próprios idosos, às pessoas ao redor deles, à sociedade e para o mundo como um todo.

Em um de seus escritos, Nichiren Daishonin observa que a longa dinastia Zhou, da China antiga, que durou oito séculos, prosperara porque seu fundador, o rei Wen, cuidava dos anciões e respeitava a sabedoria deles.¹

As ricas palavras dos mais velhos, com frequência, possuem um teor impressionante de sabedoria e conteúdo. Conheço muitos idosos que irradiam uma resplandecente beleza.

Aqueles que construíram um eu indestrutível empenhando-se nas atividades em prol do kossen rufu brilham. Peço-lhes que vivam sua existência com autoconfiança e coragem.


quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Essa é a vida de criação de valor

 

soka gakkai

Em essência, as pessoas precisam aprender a valorizar e respeitar os idosos, mesmo aqueles com Alzheimer ou outras formas de declínio cognitivo, pois são veneráveis veteranos e pioneiros que prestaram importantes contribuições à sociedade. Com o rápido envelhecimento da sociedade, todos nós seremos convocados para cuidar dos idosos, de uma forma ou de outra.

Uma sociedade grisalha terá de revisar seus valores, colocando a colaboração acima da competição, a qualidade acima da eficiência e a riqueza espiritual acima da riqueza material. Devemos perguntar não o que os outros podem fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pelos outros. Teremos de buscar um meio de contribuir, ao mesmo tempo que nos esforçamos para nos manter em forma e saudáveis. Essa é a vida de criação de valor.


iluminar o próprio caminho

 

soka gakkai

Nichiren Daishonin afirma: “Se acender uma lamparina para outra pessoa, iluminará também o próprio caminho”.² Em uma sociedade que envelhece, esse espírito de contribuir para o bem-estar dos demais é muito importante. Essencialmente, significa iluminar o próprio caminho.

O Budismo Nichiren ensina que, como temos uma dívida de gratidão com todos os seres vivos, devemos orar para que eles alcancem a iluminação.³

Valorizar as pessoas e apreciar o relacionamento humano — esses são requisitos essenciais para criar uma sociedade em que as pessoas desfrutem, verdadeiramente, uma vida longa e realizada.

O que importa é quanto podemos melhorar nossa qualidade de vida durante o tempo em que estamos nesta terra, independentemente de sua duração. Há uma diferença entre simplesmente ter uma vida longa e ter uma vida rica e gratificante. Ela pode, por exemplo, ser realizada e produtiva, mesmo que seja curta em relação à medida do tempo.


a terceira idade da juventude

 

soka gakkai

Vamos fazer da terceira idade, a terceira idade da juventude. Juventude não é algo que desbota com o tempo. Nossa atitude com relação à vida nos faz jovens. Contanto que mantenhamos uma atitude positiva e o espírito de desafio, continuaremos a ganhar profundidade e riqueza e nossa existência adquirirá o brilho reluzente do ouro ou da prata polida.

Creio que possamos afirmar que o mais importante de­safio de uma pessoa na terceira idade é que ela possa se manter fiel a si própria até o último momento e mostrar isso aos que estão ao redor.

As lembranças e recordações que as pessoas têm de alguém que já faleceu, o exemplo que deixou, podem se tornar grande fonte de encorajamento e força para os que ficam.

Qual o legado que deixaremos para os outros? Qual a con­tribuição que daremos em nossa terceira idade? Despidos de riqueza, fama, posição social, a única coisa que resta depois que alguém morre é o exemplo de como viveu como ser humano.


um caminho ascendente

 

soka gakkai

Um ditado diz: “Para o tolo, o envelhecimento é um inverno amargo; para o sábio, uma estação dourada”. Tudo depende da nossa atitude, de como lidamos com a vida. Encaramos a velhice como um período de declínio que termina na morte ou um período em que temos a oportunidade de atingir nossos objetivos e dar à nossa vida um término gratificante e de contentamento? Será a velhice um caminho descendente que leva ao esquecimento ou um caminho ascendente que nos conduz a picos mais altos? A mesma velhice — em termos de riqueza e realização — que alguém pode experimentar será dramaticamente diferente dependendo de como é encarada.


sexta-feira, 17 de setembro de 2021

recompensas de uma longa vida jovial

 

daisaku ikeda

Certa vez, um escritor francês comparou a vida ao fluxo de um rio: a juventude é como uma torrente; a maturidade, um rio veloz, e a velhice, um grande canal que reflete, assim como um espelho, a paisagem ao redor até, finalmente, desembocar no oceano.

Cada pessoa experimenta a transição da infância para a adolescência, a juventude, a maturidade e, finalmente, a velhice. Na juventude, somos impetuosos como uma torrente. Na maturidade, temos que enfrentar as crescentes responsabilidades na família e na sociedade. A fase seguinte é de profunda reflexão sobre o significado da vida, um período de sabedoria e finalização. E então chegamos à síntese final quando, do ponto de vista da velhice, temos que encarar a face da morte.

Provavelmente, morrerei antes de ter a chance de conhecer cidades ricas em história e cultura, de conhecer muitas pessoas e de trocar ideias com homens e mulheres com os quais compartilho uma humanidade que transcende as fronteiras de espaço e tempo. E antes de ler os muitos livros que desejo. Durante certo tempo, esse pensamento me deixou profundamente triste, mas agora se dissipou.

 Essa mudança foi causada por algum acontecimento?

Em vez de buscar o novo e o desconhecido, fui — talvez pela trigésima vez — a Paris, onde adoro caminhar a esmo nas ruas e nos parques. Subitamente, percebi que o que eu precisava era viver mais intensamente e saborear o conhecimento que havia sido concedido a mim. Percebi que tinha que superar em meu interior as limitações que pareciam estar me sufocando. Após a corrida ofegante, eu precisava descobrir o ritmo da respiração lenta e profunda.

De repente, estava com 60 anos, antes de ter tentado imaginar ou mesmo perceber esta fase. Senti um desejo ainda maior de trocar ideias com pessoas mais jovens. Meu objetivo não era apenas ensinar-lhes aquilo que eu sabia mas aprender com elas e, quem sabe, não envelhecer rápido demais. Queria evitar que minhas sensibilidades sumissem muito depressa estimulando-as por meio de associações com os mais novos. É impossível ensinar por mais de quarenta anos e não ser profundamente afetado por isso! Percebi que aprendemos ensinando e que podemos ensinar com paixão e transmitir o prazer de aprender somente se preservarmos nossa própria sede pelo aprendizado. Penso que as sociedades e os indivíduos precisam estabelecer novos relacionamentos entre as gerações.


É exatamente isso que a famosa exortação “conhece a ti mesmo” quer dizer. O senhor não somente redirecionou sua vida como descobriu seu verdadeiro eu.

O objetivo do budismo também é o autoconhecimento. Para encontrar seu verdadeiro eu, Sakyamuni abandonou a vida na realeza e os prazeres mundanos e enfrentou terríveis privações. Depois, rejeitou o ascetismo e começou a defender um modo de vida que transcende os extremos da autoindulgência e da autonegação. Saboreando o Caminho do Meio, ele se tornou iluminado e descobriu seu eu cósmico, que nós chamamos de buda. E assim foi o início da missão do Sakyamuni de salvar todos os seres vivos.

Bourgeault: O amor, a amizade e o encontro com as pessoas tornaram-se mais importantes do que nunca para mim. Passei a dar mais valor ao privilégio de ensinar.

Ikeda: Sakyamuni é, algumas vezes, chamado de Mestre da Humanidade. No pensamento budista, a compaixão é um processo de eliminar o sofrimento e conceder a felicidade. Isso sugere compartilhar os quatro sofrimentos, triunfar sobre eles e conquistar a verdadeira felicidade. Originalmente, a palavra compaixão significava amizade. A compaixão, a amizade e o encontro com outras pessoas são símbolos da juventude e recompensas de uma longa vida jovial.


quinta-feira, 16 de setembro de 2021

“ser jovem por toda a vida”

 

daisaku ikeda

Vivencia a frase “ser jovem por toda a vida”
A pessoa que,
Não importando quão idosa se torne,
Sem perder a esperança,
Mantém o coração jovial.


Tenham uma vida saudável e repleta de alegria

 

daisaku ikeda

Tenham uma vida saudável e repleta de alegria

Gosto muito da expressão
“Ser jovem por toda a vida”.
A jovialidade não é
Jamais definida pela idade.
É definida pela
Chama da paixão
Ao se viver vigorosa e valorosamente
Em direção ao objetivo que se tem.

sábado, 4 de setembro de 2021

a colaboração acima da competição

 

soka gakkai

Em essência, as pessoas precisam aprender a valorizar e respeitar os idosos, mesmo aqueles com Alzheimer ou outras formas de declínio cognitivo, pois são veneráveis veteranos e pioneiros que prestaram importantes contribuições à sociedade. Com o rápido envelhecimento da sociedade, todos nós seremos convocados para cuidar dos idosos, de uma forma ou de outra.

Uma sociedade grisalha terá de revisar seus valores, colocando a colaboração acima da competição, a qualidade acima da eficiência e a riqueza espiritual acima da riqueza material. Devemos perguntar não o que os outros podem fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pelos outros. Teremos de buscar um meio de contribuir, ao mesmo tempo que nos esforçamos para nos manter em forma e saudáveis. Essa é a vida de criação de valor.


“Se acender uma lamparina para outra pessoa, iluminará também o próprio caminho”

 


Nichiren Daishonin afirma: “Se acender uma lamparina para outra pessoa, iluminará também o próprio caminho”.² Em uma sociedade que envelhece, esse espírito de contribuir para o bem-estar dos demais é muito importante. Essencialmente, significa iluminar o próprio caminho.

O Budismo Nichiren ensina que, como temos uma dívida de gratidão com todos os seres vivos, devemos orar para que eles alcancem a iluminação.³

Valorizar as pessoas e apreciar o relacionamento humano — esses são requisitos essenciais para criar uma sociedade em que as pessoas desfrutem, verdadeiramente, uma vida longa e realizada.

O que importa é quanto podemos melhorar nossa qualidade de vida durante o tempo em que estamos nesta terra, independentemente de sua duração. Há uma diferença entre simplesmente ter uma vida longa e ter uma vida rica e gratificante. Ela pode, por exemplo, ser realizada e produtiva, mesmo que seja curta em relação à medida do tempo.


Qual o legado que deixaremos para os outros?

 

SOKA GAKKAI

Vamos fazer da terceira idade, a terceira idade da juventude. Juventude não é algo que desbota com o tempo. Nossa atitude com relação à vida nos faz jovens. Contanto que mantenhamos uma atitude positiva e o espírito de desafio, continuaremos a ganhar profundidade e riqueza e nossa existência adquirirá o brilho reluzente do ouro ou da prata polida.

Creio que possamos afirmar que o mais importante de­safio de uma pessoa na terceira idade é que ela possa se manter fiel a si própria até o último momento e mostrar isso aos que estão ao redor.

As lembranças e recordações que as pessoas têm de alguém que já faleceu, o exemplo que deixou, podem se tornar grande fonte de encorajamento e força para os que ficam.

Qual o legado que deixaremos para os outros? Qual a con­tribuição que daremos em nossa terceira idade? Despidos de riqueza, fama, posição social, a única coisa que resta depois que alguém morre é o exemplo de como viveu como ser humano.


uma estação dourada

 

soka gakkai

Um ditado diz: “Para o tolo, o envelhecimento é um inverno amargo; para o sábio, uma estação dourada”. Tudo depende da nossa atitude, de como lidamos com a vida. Encaramos a velhice como um período de declínio que termina na morte ou um período em que temos a oportunidade de atingir nossos objetivos e dar à nossa vida um término gratificante e de contentamento? Será a velhice um caminho descendente que leva ao esquecimento ou um caminho ascendente que nos conduz a picos mais altos? A mesma velhice — em termos de riqueza e realização — que alguém pode experimentar será dramaticamente diferente dependendo de como é encarada.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Uma questão de qualidade de vida

 

soka gakkai

O budismo, em geral, concentra-se em solucionar os sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte. Contudo, a essência do Budismo de Nichiren Daishonin não consiste simplesmente em ultrapassar esses “quatro sofrimentos”. No Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente (Ongi Kuden), Daishonin afirma: “As palavras ‘quatro lados’ [da Torre de Tesouro] representam o nascimento, o envelhecimento, a doença e a morte. Utilizamos os fatores nascimento, envelhecimento, doença e morte para adornar as torres que são o nosso corpo” (OTT, p. 90). O Budismo Nichiren, portanto, ensina uma compreensão mais profunda sobre esses quatro sofrimentos, observando que eles podem ser transformados em tesouros que agregam dignidade e esplendor às “torres que são o nosso corpo”, à torre de tesouro da nossa vida.

Um ditado diz: “Para o tolo, o envelhecimento é um inverno amargo; para o sábio, uma estação dourada”. Tudo depende da nossa atitude, de como lidamos com a vida. Encaramos a velhice como um período de declínio que termina com a morte ou um período em que temos a oportunidade de atingir nossos objetivos e dar à nossa vida um término gratificante e de contentamento? Será a velhice um caminho descendente que leva ao esquecimento ou um caminho ascendente que nos conduz a picos mais altos? A mesma velhice — em termos de riqueza e de realização que alguém pode experimentar — será dramaticamente diferente, dependendo de como é encarada.

Vamos fazer da terceira idade a “terceira idade da juventude”. Juventude não é algo que desbota com o tempo. Nossa atitude com relação à vida nos faz jovens. Contanto que mantenhamos uma atitude positiva e o espírito de desafio, continuaremos a ganhar profundidade e riqueza e nossa existência adquirirá o brilho reluzente do ouro ou da prata polida.

Creio que possamos afirmar que o mais importante desafio da terceira idade seja nos mantermos fiéis a nós próprios até o último momento e mostrarmos isso aos que estão ao nosso redor.

As lembranças e recordações que as pessoas têm de alguém que já faleceu, o exemplo que deixou, podem se tornar grande fonte de encorajamento e força para os que ficam.

O que podemos deixar como um legado para os outros na nossa terceira idade? Despidos de riqueza, fama, posição social, a única coisa que resta depois que alguém morre é o exemplo de como viveu como ser humano.

Nichiren Daishonin declara: “Se acender uma lamparina para outra pessoa, iluminará também o próprio caminho” (WND, v. II, p. 1060). Em uma sociedade que envelhece, esse espírito de contribuir para o bem-estar dos demais é muito importante. Essencialmente, significa iluminar o próprio caminho.

O Budismo Nichiren ensina que, como temos uma dívida de gratidão com todos os seres vivos, devemos orar para que eles alcancem a iluminação (WND, v. II, p. 637).

Valorizar as pessoas e apreciar o relacionamento humano — esses são requisitos essenciais para criar uma sociedade em que as pessoas desfrutem, verdadeiramente, uma vida longa e realizada.

O que importa é quanto podemos melhorar nossa qualidade de vida durante o tempo em que estamos nesta terra, independentemente de sua duração. Há uma diferença entre simplesmente ter uma vida longa e ter uma vida rica e gratificante. Ela pode, por exemplo, ser realizada e produtiva, mesmo que seja curta em relação à medida do tempo.

O importante é que aproveitemos cada dia sem arrependimento, avançando em nosso trabalho pelo kosen-rufu; que continuemos a acalentar no coração um radiante propósito e razão para viver, não obstante a idade. Manter-se cada dia desse modo é a chave para uma existência de profunda satisfação e realização.


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

A recompensas de uma longa vida jovial

 

soka gakkai

Certa vez, um escritor francês comparou a vida ao fluxo de um rio: a juventude é como uma torrente; a maturidade, um rio veloz, e a velhice, um grande canal que reflete, assim como um espelho, a paisagem ao redor até, finalmente, desembocar no oceano.

Cada pessoa experimenta a transição da infância para a adolescência, a juventude, a maturidade e, finalmente, a velhice. Na juventude, somos impetuosos como uma torrente. Na maturidade, temos que enfrentar as crescentes responsabilidades na família e na sociedade. A fase seguinte é de profunda reflexão sobre o significado da vida, um período de sabedoria e finalização. E então chegamos à síntese final quando, do ponto de vista da velhice, temos que encarar a face da morte.

 Provavelmente, morrerei antes de ter a chance de conhecer cidades ricas em história e cultura, de conhecer muitas pessoas e de trocar ideias com homens e mulheres com os quais compartilho uma humanidade que transcende as fronteiras de espaço e tempo. E antes de ler os muitos livros que desejo. Durante certo tempo, esse pensamento me deixou profundamente triste, mas agora se dissipou.

 Essa mudança foi causada por algum acontecimento?

 Em vez de buscar o novo e o desconhecido, fui — talvez pela trigésima vez — a Paris, onde adoro caminhar a esmo nas ruas e nos parques. Subitamente, percebi que o que eu precisava era viver mais intensamente e saborear o conhecimento que havia sido concedido a mim. Percebi que tinha que superar em meu interior as limitações que pareciam estar me sufocando. Após a corrida ofegante, eu precisava descobrir o ritmo da respiração lenta e profunda.

De repente, estava com 60 anos, antes de ter tentado imaginar ou mesmo perceber esta fase. Senti um desejo ainda maior de trocar ideias com pessoas mais jovens. Meu objetivo não era apenas ensinar-lhes aquilo que eu sabia mas aprender com elas e, quem sabe, não envelhecer rápido demais. Queria evitar que minhas sensibilidades sumissem muito depressa estimulando-as por meio de associações com os mais novos. É impossível ensinar por mais de quarenta anos e não ser profundamente afetado por isso! Percebi que aprendemos ensinando e que podemos ensinar com paixão e transmitir o prazer de aprender somente se preservarmos nossa própria sede pelo aprendizado. Penso que as sociedades e os indivíduos precisam estabelecer novos relacionamentos entre as gerações.


 É exatamente isso que a famosa exortação “conhece a ti mesmo” quer dizer. O senhor não somente redirecionou sua vida como descobriu seu verdadeiro eu.

O objetivo do budismo também é o autoconhecimento. Para encontrar seu verdadeiro eu, Sakyamuni abandonou a vida na realeza e os prazeres mundanos e enfrentou terríveis privações. Depois, rejeitou o ascetismo e começou a defender um modo de vida que transcende os extremos da autoindulgência e da autonegação. Saboreando o caminho do meio, ele se tornou iluminado e descobriu seu eu cósmico, que nós chamamos de buda. E assim foi o início da missão do buda sakyamuni de salvar todos os seres sencientes.

 O amor, a amizade e o encontro com as pessoas tornaram-se mais importantes do que nunca para mim. Passei a dar mais valor ao privilégio de ensinar.

Sakyamuni é, algumas vezes, chamado de Mestre da Humanidade. No pensamento budista, a compaixão é um processo de eliminar o sofrimento e conceder a felicidade. Isso sugere compartilhar os quatro sofrimentos, triunfar sobre eles e conquistar a verdadeira felicidade. Originalmente, a palavra compaixão significava amizade. A compaixão, a amizade e o encontro com outras pessoas são símbolos da juventude e recompensas de uma longa vida jovial.


domingo, 8 de agosto de 2021

um inverno amargo ou uma estação dourada ?

 

soka gakkai

Um ditado diz: “Para o tolo, o envelhecimento é um inverno amargo; para o sábio, uma estação dourada”. Tudo depende da nossa atitude, de como lidamos com a vida. Encaramos a velhice como um período de declínio que termina na morte ou um período em que temos a oportunidade de atingir nossos objetivos e dar à nossa vida um término gratificante e de contentamento? Será a velhice um caminho descendente que leva ao esquecimento ou um caminho ascendente que nos conduz a picos mais altos? A mesma velhice — em termos de riqueza e realização — que alguém pode experimentar será dramaticamente diferente dependendo de como é encarada.

(...)

Vamos fazer da terceira idade, a terceira idade da juventude. Juventude não é algo que desbota com o tempo. Nossa atitude com relação à vida nos faz jovens. Contanto que mantenhamos uma atitude positiva e o espírito de desafio, continuaremos a ganhar profundidade e riqueza e nossa existência adquirirá o brilho reluzente do ouro ou da prata polida.

Creio que possamos afirmar que o mais importante de­safio de uma pessoa na terceira idade é que ela possa se manter fiel a si própria até o último momento e mostrar isso aos que estão ao redor.

As lembranças e recordações que as pessoas têm de alguém que já faleceu, o exemplo que deixou, podem se tornar grande fonte de encorajamento e força para os que ficam.

Qual o legado que deixaremos para os outros? Qual a con­tribuição que daremos em nossa terceira idade? Despidos de riqueza, fama, posição social, a única coisa que resta depois que alguém morre é o exemplo de como viveu como ser humano.

(...)

Nichiren Daishonin afirma: “Se acender uma lamparina para outra pessoa, iluminará também o próprio caminho”.² Em uma sociedade que envelhece, esse espírito de contribuir para o bem-estar dos demais é muito importante. Essencialmente, significa iluminar o próprio caminho.

O Budismo Nichiren ensina que, como temos uma dívida de gratidão com todos os seres vivos, devemos orar para que eles alcancem a iluminação.³

Valorizar as pessoas e apreciar o relacionamento humano — esses são requisitos essenciais para criar uma sociedade em que as pessoas desfrutem, verdadeiramente, uma vida longa e realizada.

O que importa é quanto podemos melhorar nossa qualidade de vida durante o tempo em que estamos nesta terra, independentemente de sua duração. Há uma diferença entre simplesmente ter uma vida longa e ter uma vida rica e gratificante. Ela pode, por exemplo, ser realizada e produtiva, mesmo que seja curta em relação à medida do tempo.

(...)

Em essência, as pessoas precisam aprender a valorizar e respeitar os idosos, mesmo aqueles com Alzheimer ou outras formas de declínio cognitivo, pois são veneráveis veteranos e pioneiros que prestaram importantes contribuições à sociedade. Com o rápido envelhecimento da sociedade, todos nós seremos convocados para cuidar dos idosos, de uma forma ou de outra.

Uma sociedade grisalha terá de revisar seus valores, colocando a colaboração acima da competição, a qualidade acima da eficiência e a riqueza espiritual acima da riqueza material. Devemos perguntar não o que os outros podem fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pelos outros. Teremos de buscar um meio de contribuir, ao mesmo tempo que nos esforçamos para nos manter em forma e saudáveis. Essa é a vida de criação de valor.


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