segunda-feira, 30 de agosto de 2021

hagemashi, que significa “encorajamento” ou “incentivo”

 

daisaku ikeda

No idioma japonês encontramos a palavra hagemashi, que significa “encorajamento” ou “incentivo”. Esse termo é composto pelos ideogramas de “dez mil” ou “ilimitada força”, ou seja, ao incentivar uma pessoa, manifestamos a força de dez mil, fazendo com que a pessoa que está sofrendo consiga superar as dificuldades não importando a circunstância em que se encontre.

Com grande compaixão, Daishonin incentiva a monja leiga Toki em um momento no qual ela sofre com a doença, transmitindo-lhe convicção sobre a melhora de seu estado de saúde. Neste escrito, o Buda tranquiliza sua discípula e a direciona a manter a postura diante das dificuldades e não a ser levada pela maldade da doença.

Cada vez mais a SGI vem cumprindo o legado deixado pelo buda Nichiren Daishonin nos dias atuais. Em um trecho da explanação do presidente Ikeda deste escrito consta: “O espírito humanista de valorizar cada indivíduo são a síntese do budismo e a marca da Soka Gakkai. Confirmo isso inteiramente. Em meus encontros diretos com as pessoas, bem como por meio de cartas e respostas aos relatórios e comunicações das atividades dos membros, dediquei toda a minha vida para incentivá-las, considerando cada encontro uma oportunidade única e preciosa que não deixaria passar”. (...) “Diálogo de vida a vida e incentivo de vida a vida — são a essência da filosofia do budismo e o espírito central de toda religião.” 

Nichiren Daishonin elogia a atitude devotada de sua discípula de cuidar da sogra acamada, que na época estava com 90 anos e que contou com sua assistência até o dia em que faleceu serenamente. Daishonin compartilha também que seu marido (Toki Jonin) tinha lhe dito quão profundamente grato estava pelo carinho que ela havia dedicado à mãe dele em seus últimos dias. Em sua explanação o presidente Ikeda enfatiza: “Muitos japoneses, ainda hoje, têm dificuldade em expressar diretamente a sua gratidão com suas esposas, mesmo que em seu íntimo tenha esse sentimento. De toda forma, esta passagem representa a grande compaixão de Nichiren Daishonin com o casal. A manifestação concreta do humanismo budista é justamente o sensível, preocupado e afetuoso incentivo.”

A chave para nos levantarmos tal como a monja leiga Toki é o daimoku. Em sua explanação o presidente Ikeda afirma: “A vida daqueles que recitam daimoku incorpora o princípio de que os desejos mundanos são iluminação. Eles já são vitoriosos. Eles estão vencendo, elevando-se acima de todo sofrimento” (Ibidem).

Manifestando a empatia por nossos companheiros e incentivando-os com o coração repleto de compaixão, empoderando com a “força de dez mil” e nutrindo a grande rede de incentivos que é a nossa organização, vamos avançar continuamente, e também nos esforçar na prática da fé mantendo uma digna postura diante das dificuldades.


sete maneiras de fazer oferecimentos às pessoas

 

Uma escritura budista explica que existem sete maneiras de fazer oferecimentos às pessoas sem envolver dinheiro ou bens materiais.



A primeira são os “oferecimentos do olhar” — sempre se encontrar com as pessoas com um olhar benevolente. 



A segunda são os “oferecimentos do semblante” — encontrar-se com os outros com uma expressão radiante no rosto, e não com uma carranca! 



A terceira são os “oferecimentos da palavra” — dirigir-se aos outros com palavras gentis e não com uma linguagem grosseira e abrasiva. Vamos sempre tentar nos comunicar por meio de palavras que façam as pessoas se sentirem tranquilas com o coração iluminado.



A quarta são os “oferecimentos da atitude” — demonstrar respeito aos outros. 



A quinta são os “oferecimentos do coração” — tratar os outros de forma calorosa e se empenhar para realizar o bem. Palavras sinceras e uma atitude benevolente não são suficientes. Sustentando tudo isso deve haver um “coração” que seja da mesma maneira amável e benevolente.



A sexta são os “oferecimentos do lugar” — proporcionar cadeiras para os outros se sentarem. Isso pode ser visto, por exemplo, no respeito e na deferência que demonstramos àqueles que percorreram longas distâncias para participar de uma reunião, indicando-lhes os primeiros lugares da sala e tentando fazê-los sentirem-se confortáveis.



A sétima são os “oferecimentos da moradia” — convidar aqueles que vieram nos ver para irem à nossa casa. Podemos agradecer a cada um, por exemplo, com “Muito obrigado por ter vindo. Por favor, não gostaria de entrar?”. As pessoas que oferecem a casa para a realização de reuniões estão agindo da forma mais digna de respeito.


Sakyamuni também incentivava seus discípulos a cultivar “ações virtuosas”, “palavras virtuosas” e “pensamentos virtuosos”.


Os associados da SGI estão agindo com benevolência por meio de ações, palavras e pensamentos — as três categorias da ação. Tratar os filhos do budade maneira desumana é denegrir o budismo. Isso é o mesmo que caluniar a Lei. Quando precisarmos dizer algo de forma rigorosa a alguém, primeiro devemos recitar bastante daimoku direcionado para essa questão e depois conversar com a pessoa com base em um espírito benevolente de sincera preocupação com sua felicidade.


A boa sorte e o benefício de levar esperança aos amigos


Em última análise, aqueles que apenas tentam salientar e criticar as falhas dos demais desmoralizarão a si próprios e serão destruídos pela sua própria feiura. No final, essas pessoas sofrerão. Em contraste, os esforços daqueles que encorajam e apoiam os outros de todo o coração serão transformados na própria boa sorte e benefício. Onde estiverem, inclusive os iniciantes na prática da fé, as pessoas atuarão como divindades budistas trabalhando para protegê-los. É assim que funciona o princípio de “simultaneidade de causa e efeito”.


Em termos individuais, o objetivo [da prática] é alcançar a iluminação

 



“Em termos individuais, o objetivo [da prática] é alcançar a iluminação, o que significa construir uma felicidade absoluta, inabalável e indestrutível. Em outras palavras, significa fortalecer a si mesmo de tal forma que não seja derrotado por nenhuma circunstância de vida. Nós chamamos isso de revolução humana. Porém, em termos da missão como budista, outro objetivo é a realização do kosen-rufu, que indica o ato de ensinar o correto budismo para conduzir todas as pessoas para a paz e felicidade” (Nova Revolução Humana, v. 9, p. 165).
Esse trecho do romance Nova Revolução Humana demonstra que cada membro da SGI é o protagonista do kosen-rufu mundial. Como praticantes do Budismo Nichiren, nosso juramento seigan é o de nos esforçar cada vez mais para iluminar a sociedade, o mundo e o futuro com a luz da nossa revolução humana e da unicidade de mestre e discípulo.
Além de promover o kosen-rufu por meio de diálogos sobre o Budismo de Nichiren Daishonin aos que estão à sua volta, os membros da SGI também se empenham em propagar os valores da Soka Gakkai com seu comportamento onde quer que se encontrem. A partir do momento em que assumimos a missão como bodisatva da terra, tudo o que realizamos será manifestação dessa condição de vida e um meio para a concretização do juramento seigan.




Anualmente, desde 1983, o presidente Ikeda envia sua proposta de paz à Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2012, ele discute as tragédias que assolam a humanidade e como agir diante delas.


Referindo-se ao papel do cidadão para transformação de sua realidade, relatório da Comissão de Segurança Humana da ONU, o presidente Ikeda diz: “O Estado permanece o provedor fundamental da segurança. Contudo, frequentemente não cumpre o seu dever — e, às vezes, até se torna ameaçador para seus cidadãos. A atenção com a segurança deve ser direcionada ao povo e não ao Estado” (Terceira Civilização, ed. 524, abr. 2012). Aí se encontra o ponto fundamental do Budismo Nichiren — o desenvolvimento de cada ser humano e sua contribuição para o mundo que deseja.


O presidente Ikeda enfatiza que é impossível sermos felizes e nos sentirmos seguros individualmente se ignoramos as ameaças que afligem os outros. “Como o problema das mudanças climáticas demonstra, neste mundo cada vez mais interdependente, uma catástrofe em determinado lugar pode parecer um fato isolado, mas na verdade contém o potencial de maiores danos em escala global” (Ibidem). Assim, ele afirma que na visão budista, a menos que haja paz e segurança na sociedade como um todo, nossa segurança individual será ilusão.


É importante que, como cidadãos, não ignoremos as tragédias onde quer que estejam acontecendo e devemos impedir que elas sejam passadas para as próximas gerações. “O conceito de espaço implica a consciência de nossas responsabilidades como cidadãos; e o de tempo, um compromisso com a sustentabilidade. (...) A clara consciência das dimensões de interconexão da vida deve guiar todas as nossas ações” (Ibidem), ressalta.


O presidente Ikeda dialogou com a Dra. Elise Boulding (1920–2010), pioneira da cultura de paz, e relata a experiência dela ocorrida em 1960 ao participar de uma reunião com estudiosos dos aspectos econômicos do desarmamento em que perguntara como seria um mundo totalmente desarmado. Para a surpresa dela, eles não tinham ideia, pois o trabalho deles era apenas o de convencer os outros que o desarmamento era possível.


Sobre isso, o presidente Ikeda diz: “‘Como poderiam trabalhar de coração num movimento cujo resultado nem sequer imaginavam?’ Esta questão é essencial. Não importa quão relevantes sejam a paz e o desarmamento, se o movimento para alcançá-los não tiver uma visão claramente definida, não gerará a energia necessária para superar os obstáculos em meio à realidade. A Dra. Boulding entendia que uma visão comum une as pessoas e lhes permite ‘se dedicar incondicionalmente’” (Ibidem).


Um objetivo pode parecer impossível até ser concretizado — essa é a convicção da SGI. A consciência dos membros da SGI como bodhisattvas da terra sobre a necessidade real da transformação da humanidade os motiva a avançar com alegria e convicção na propagação do Budismo de Nichiren Daishonin.


a diferença entre felicidade relativa e felicidade absoluta

 

soka gakkai

Nascemos neste mundo para sermos felizes. Certamente ninguém deseja ser infeliz. Por isso, desde a antiguidade a felicidade representa uma das questões centrais da filosofia. 

Felicidade não é alguma coisa que os outros nos dão nem algo que ficamos aguardando e que, de repente, surge em nossa vida, independentemente de nossa vontade e esforço.

Edificar um estado de felicidade absoluta

Qual o tipo de felicidade que buscamos por meio da fé? O presidente Josei Toda resumiu a visão budista de felicidade em dois pontos básicos.

Em primeiro lugar, existe diferença entre felicidade relativa e felicidade absoluta. O Budismo de Nichiren Daishonin não rejeita a felicidade relativa de uma vida confortável ou de possuir boa saúde. Ter bom emprego e melhorar o padrão de vida são fatores importantes. Ao mesmo tempo em que empreendemos esforços positivos para alcançá-los, salientou Toda sensei, também devemos nos desafiar, por meio da prática budista, para atingirmos um estado de felicidade absoluta que nada é capaz de destruir — um estado em que viver seja em si uma alegria.

O segundo aspecto da visão budista de felicidade destacado pelo presidente Josei Toda é que todos nós nascemos neste mundo para desfrutar a vida. O Sutra do Lótus ensina que este mundo é um lugar “onde os seres vivos vivem felizes e tranquilos” (LSOC, cap. 16, p. 272). Porém, não conseguiremos apreciar a vida neste mundo, repleto de sofrimento, se nossa energia vital for fraca. Por isso, precisamos nos empenhar na prática budista para evidenciar nosso estado de buda interior e fortalecer nossa energia vital. Assim, podemos subir a íngreme estrada da vida com agradável tranquilidade e satisfação. As dificuldades e os desafios incalculáveis que enfrentamos se transformarão em algo que agregue alegria à nossa existência, como uma pitada de sal enriquece o sabor do doce. O desejo mais acalentado pelo presidente Josei Toda era que todos descobrissem o supremo prazer de viver.

Certamente, o mundo é um caos sem fim. Mesmo aqueles que mantêm uma vida admirável não conseguem escapar de ataques e críticas. Entretanto, sobre tais problemas, Daishonin diz: “Nunca permita que estes os perturbem” (CEND, v. I, p. 713).

Nós, além da família, também temos nossos amigos da Soka Gakkai, companheiros de fé, para compartilharmos nossos problemas. Não há necessidade de tentar suportá-los sozinhos e em silêncio. Além do mais, o Gohonzon está ciente de tudo. Não importando o que o outro possa dizer, devemos simplesmente viver com firmeza, da maneira que escolhemos. É importante recitarmos Nam-myoho-renge-kyo e nos empenharmos juntos, com bons amigos ao nosso lado nos apoiando e nos encorajando.

“Considere tanto o sofrimento quanto as alegrias como fatos da vida”

“Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto as alegrias como fatos da vida e continue recitando Nam-myoho-renge-kyo, independentemente do que aconteça” (CEND, v. I, p. 713), escreve Daishonin. Incontáveis membros da SGI gravaram esta passagem no coração e recitaram Nam-myoho-re­nge-kyo para ultrapassar seus problemas. Por mais dolorosa ou árdua que seja nossa situação, se continuarmos recitando daimoku ao Gohonzon com uma oração concentrada, nós infalivelmente a superaremos.

Uma oração assim lapida um caráter indômito, acende a chama da esperança infinita, traz a paz espiritual absoluta e aciona o progresso resoluto. É uma fonte de felicidade inigualável e um dos atos mais nobres que podemos realizar como seres humanos.

Felicidade é algo que cada um de nós deve alcançar por si e experimentar na própria vida. Porém, sua felicidade individual em detrimento da felicidade das demais pessoas não consiste em felicidade genuína. Simplesmente se satisfazer com o próprio bem-estar, sem a mínima preocupação com o próximo, é egoísmo. Pela mesma razão, deixar de lado a própria felicidade e se importar somente com a de outras pessoas também não basta. A verdadeira felicidade é uma condição em que tanto nós como os outros somos felizes.

Quando algo bom acontece, queremos compartilhar o fato com os outros — com a família, os amigos, os membros, com nosso mestre. A felicidade se expande e amplia dentro dessa rede de relacionamentos na qual dividimos nossas alegrias e tristezas.

Compreender que sua mente, sua vida, desde sempre é a de um buda acarreta o reconhecimento de que isso não vale só para si, mas também para os outros igualmente. Nós e os demais somos budas — uma percepção que faz nascer em nós uma sensação de absoluta alegria. Quando alcançamos a condição de vida de nos alegrar com o nosso bem-estar e o das outras pessoas, uma felicidade incomparável que perdurará por toda a eternidade começa a brilhar intensamente em nosso coração.

Estamos agora na nova era do kosen-rufu mundial, na qual ondas de alegria emanadas da “prática da fé para conquistar a felicidade” estão transcendendo fronteiras étnicas e barreiras de idiomas e se propagam por todo o planeta. Estamos nos empenhando para começar a era da vitória do povo na qual a humanidade como um todo possa conquistar a felicidade.

Constrói-se a felicidade por meio de esforços firmes e constantes a cada dia. E a base da nossa vida, que é voltada para a concretização da felicidade, é nossa inigualável prática diária da recitação do Nam-myoho-renge-kyo.

Estou orando fervorosamente hoje, e continuarei orando — para que sejam felizes, sem exceção, e adornem a vida com vitórias esplêndidas.


Consolidemos uma vida de vitórias magníficas

 

soka gakkai

Diante das dificuldades, simplesmente desistimos e aceitamos o fato como falta de sorte? Nós nos escondemos e esperamos o tempo solucionar o problema? Ficamos lamuriando nossa desgraça? Nos ressentimos e culpamos os outros ou o ambiente?

No momento em que se depara com adversidades, o verdadeiro valor do indivíduo se revela com extrema clareza. O segredo da vitória reside em possuir a fé corajosa de um rei leão, enfrentando resolutamente todos os obstáculos.

Toda sensei salientava a importância de ultrapassarmos cada dificuldade com que nos deparamos. “Cada vez que sobrepujamos uma montanha de adversidades fortalecemos dentro de nós a condição de vida do estado de buda que nada será capaz de destruir.” O fator crucial é desafiarmos cada problema no momento em que ele ocorrer. Não devemos aguardar até nossa fé ser profunda o bastante para tanto. É por enfrentarmos dificuldades que conseguimos lapidar nossa vida e edificar uma fé indestrutível como o diamante. Como afirma Daishonin, “Uma espada, mesmo exposta ao fogo intenso, suporta o calor durante algum tempo por ter sido bem forjada” (WND, v. I, p. 839).

Espero, portanto, que orem pela solução de seus problemas diante do Gohonzon. Quando transformamos problemas em oração ao recitarmos Nam-myoho-renge-kyo, a coragem brota de dentro de nós e a esperança começa a brilhar em nosso coração.

Não poderemos experimentar a “maior de todas as alegrias” (OTT, p. 212) se nutrirmos um medo descabido em relação às adversidades e relutarmos em sair de nossa zona de conforto. O Budismo de Nichiren Daishonin ensina uma maneira de viver que é o extremo oposto dessa passividade.

Daishonin ensina em suas escrituras, que viver de forma positiva e proativa é a verdadeira paz e tranquilidade na vida. Isso significa acolher prontamente todos os desafios, e considerar prazerosas as dificuldades, vendo-as como oportunidades para se tornar uma pessoa capaz de ajudar muitas outras.

Toda sensei dizia: “O Budismo de Nichiren Daishonin é um ensinamento que habilita aqueles que estão diante de adversidades a conquistar a felicidade. Não há ninguém tão forte quanto alguém que enfrentou e venceu árduas dificuldades. Uma pessoa assim pode se tornar um verdadeiro amigo e aliado dos que realmente estão sofrendo”.

Quando despertamos para nossa missão como bodisatvas da terra, uma força incrível emana de dentro de nós; todos os obstáculos com que nos deparamos se tornam dificuldades que escolhemos assumir por vontade própria para ajudar a conduzir outras pessoas à iluminação. E ao sobrepujarmos tais obstáculos, cumprimos nosso juramento de bodisatva de auxiliar os outros a serem felizes.

Nichiren Daishonin nos ensina a transformar fundamentalmente nossa atitude em relação às adversidades — deixando de ter pena de nós mesmos, questionando “Por que eu?” e adotando uma postura cheia de brio e confiança capaz de declarar “Deixa comigo!”.

Quando empreendemos o esforço de expandir nosso estado de vida, ativamos as funções que buscam obstruir esse processo. Assim como um barco seguindo em frente provoca ondas ou o ato de correr produz a resistência do vento, aqueles que tentam avançar no caminho da revolução humana experimentam uma resistência espiritual em forma de dúvida e apreensão em relação à fé. Esse é o real significado das forças ou funções demoníacas. Tais dúvidas e receios não surgem porque a fé é fraca ou falha. Na verdade, é exatamente o oposto.

É em meio a grandes dificuldades que podemos manifestar a condição de vida do estado de buda. Podemos romper a concha do nosso eu menor e revelar nosso eu maior, que é uno à Lei Mística. Por essa razão, devemos continuar recitando Nam-myoho-renge-kyo, evidenciar nossa coragem — ter o coração de um rei leão — e lutar contra todas as adversidades.

A vida não se refere a lamentar nosso destino, ficar à mercê do carma e sofrer de mãos atadas. Podemos superar as contrariedades e gerar felicidade tanto para nós mesmos como para os outros. O ensinamento da Lei Mística nos habilita a dar vazão ao poder ilimitado em nosso interior para fazermos exatamente isso. Esse é o propósito da fé no Budismo de Nichiren Daishonin. E o empenho abnegado na prática budista é fator indispensável para consolidarmos a mudança em nosso estado de vida denominada revolução humana.

Em Abertura dos Olhos, Nichiren Daishonin expressa: “Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda” (CEND, v. I, p 296). Não obstante que desafios possamos encontrar, se perseverarmos diligentemente em nossa prática budista sem nutrir dúvidas, podemos evidenciar a condição de vida do estado de buda.

O importante é num momento crucial manter sempre em mente as palavras do mestre e continuar avançando resolutamente pelo caminho escolhido de mestre e discípulo ao lado de nossos companheiros de prática.

Talvez alguns de vocês possam estar lidando com problemas complexos. Não há necessidade de tentar esconder a situação. Como Toda sensei costumava dizer, “Seja você mesmo e deixe as pessoas observarem quão arduamente está lutando para transformar seu destino”.

Pelo ato de desafiar dificuldades podemos manifestar nosso estado de buda. Quanto maiores forem as adversidades, mais intensamente brilhará nosso estado de buda. Edificar uma natureza desse tipo consiste no caminho para se atingir o estado de buda nesta existência.

A correta fé no Budismo de Nichiren Daishonin nos proporciona as asas da coragem, felicidade e vitória por toda a eternidade. Quanto mais ferozes os ventos da adversidade, mais alto alçaremos voo pela amplidão do céu e elevaremos nosso estado de vida com total tranquilidade e ilimitada alegria.

Sigamos em frente com confiança e orgulho, voando serenamente com as invencíveis e indestrutíveis asas Soka pelos céus da vitória eterna!

Consolidemos uma vida de vitórias magníficas suplantando todos os obstáculos de modo que possamos declarar: “Eu venci!”, “Nós vencemos!” Toda sensei com certeza ficará imensamente feliz com o relato de nossa vitória.



Por que ter um mestre?

 

daisaku ikeda

‘‘Viva de acordo com a sua própria vida!’’ esse foi o brado do Sr Josei Toda, o segundo presidente da Soka Gakkai, aos jovens. O Sr. Toda sobreviveu dois anos na prisão durante a Segunda Guerra Mundial, mas se manteve invicto e sua devoção à paz era inabalável. Na desolação que se seguiu à derrota do Japão, quando todos os valores estabelecidos foram destruídos ou ficaram revirados, ele retornou ao ponto inicial, à condição humana, e pediu-nos que começássemos novamente partindo de nossa própria revolução humana interior. O ensinamento do Sr. Toda foi uma revitalização da doutrina do Buda Shakyamuni de que somos os nossos próprios mestres, como jamais alguém poderia ser, e que, se disciplinarmos bem a nós mesmos, obteremos um mestre difícil de se achar.

O budismo é vivenciado por meio da “unicidade de mestre e discípulo". 

A “unicidade de mestre e discípulo” (shitei funi, em japonês) é um dos princípios fundamentais do budismo. O propósito primordial da prática budista é a felicidade absoluta ou o estado de buda – sabedoria humana em seu estágio mais elevado.

A unicidade de mestre e discípulo existe para estreitar o contato das pessoas com essa elevada sabedoria. O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, explica: “O budismo é um ensinamento transmitido pela unicidade de mestre e discípulo. A unicidade selada entre o mestre e o discípulo é a essência da prática budista. Se nos esquecermos desse juramento, não atingiremos o estado de buda nem a felicidade absoluta; muito menos seremos capazes de realizar o kosen-rufu. A razão é simples: a Lei é transmitida por meio do laço que une o discípulo a seu mestre. O budismo é a lei da vida, e a lei da vida não pode ser transmitida apenas por palavras ou conceitos” (Terceira Civilização, ed. 476, abr. 2008, p. 48).

No século 13 no Japão, Nichiren Daishonin denominou essa Lei de Nam-

myoho-renge-kyo e dedicou-se incessantemente para estabelecer seu ensinamento que consiste em recitar o daimoku e ensinar às pessoas a praticar. Ao cumprir sua missão de constituir a prática e o método de propagação do budismo, Nichiren Daishonin concluiu uma importante etapa no movimento pelo kosen-rufu delegando a seus discípulos.

Após o falecimento de Nichiren Daishonin, a propagação de seus ideais e seus ensinamentos entrou em declínio. Somente no século 20, no Japão, o professor Tsunesaburo Makiguchi herdou o legado de Daishonin assumindo para si o juramento de realizar a ampla propagação do budismo com a fundação da Soka Gakkai.

Por que ter um mestre?

“Mestre, no Budismo de Nichiren Daishonin, é quem conduz as pessoas à Lei Mística ensinando-lhes que a Lei na qual devem confiar existe na vida de cada um. Os discípulos, por sua vez, buscam o mestre, que incorporam essa Lei em suas ações e vive em unicidade com ela. Além disso, eles se empenham na prática budista tendo o mestre como exemplo. Esse modo de vida permite aos discípulos se tornarem o mestre da própria mente” (BS, ed. 2.114, 14 jan. 2012, p. C5).

Mestre do kosen-rufu

O presidente Ikeda é o mestre do kosen-rufu, pois vem se dedicando ativamente para a construção de uma sociedade pacífica, tendo como premissa a dignidade da vida. Desde a juventude, abriu caminho, mesmo diante de inúmeras intempéries, para a ampla propagação do Budismo de Nichiren Daishonin visando a felicidade de toda a humanidade.

O discípulo, inspirado pela postura e conduta do mestre, põe em prática na vida diária suas orientações e exemplo, se destacando em todos os campos de atuação como ser humano capaz de transmitir felicidade e, assim, cumprir o juramento de propagar a Lei para todas as pessoas.


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