A história
de um jovem covarde
Desde
épocas antigas, esta região de Tyubu desempenhou um papel decisivo na formação
da história japonesa. Esta é uma terra repleta de drama.
Muitos dos
romances do escritor japonês Shugoro Yamamoto (1903–1967) passam-se no Feudo
Okazaki, na Província de Mikawa (que ocupava a parte leste da atual Província
de Aiti). O segundo presidente da Soka Gakkai Jossei Toda era um ávido leitor
das obras de Yamamoto, muitas das quais simples retratos da vida das pessoas
comuns e dos trabalhos sutis da natureza humana. O presidente Toda sempre
considerou importante ler obras que exploravam a complexidade do coração
humano.
Uma dessas
obras de Yamamoto é o conto Budo Mumon (Impedida a entrada para o Caminho de
Guerreiro). O protagonista é um samurai de vinte e oito anos chamado Miyabe
Koyata. Koyata é tímido e introvertido e não se adequa à vida de guerreiro.
Bastava ver os outros lutarem para fazê-lo tremer. A idéia de desafiar alguém
para lutar ou até mesmo de assumir uma responsabilidade é algo totalmente
impensável para ele. Ele está sempre fugindo.
No passado,
Koyata fez várias tentativas de transformar seu caráter, mas sucessivas
derrotas fizeram-no desistir dessa idéia. “Estou bem da maneira como sou”,
dizia ele a si próprio. “Não me adequo a uma posição de responsabilidade.
Ficarei tranqüilo sem chamar qualquer atenção.”
Descobrindo
o potencial de cada pessoa
No
entanto, um dia Koyata é escolhido por seu lorde, Tadayoshi Mizuno, para
realizar uma missão especial. Célebre por sua liderança perspicaz e corajosa,
Tadayoshi propôs um plano audacioso de disfarçar-se de mercador e viajar até o
território inimigo para fazer um reconhecimento da área ao redor do Castelo de
Nagoya, a fortaleza central e supostamente inexpugnável do vizinho Feudo Owari.
Ele escolheu o jovem Koyata e uma outra pessoa para acompanharem-no na jornada.
É
importante para os líderes terem o espírito de descobrir o potencial de cada
pessoa. Os líderes não devem julgar os outros com base nas aparências ou
decidirem através de sua perspectiva limitada que alguém não é bom ou adequado
para algo. Empenhar-se para descobrir e revelar os pontos fortes dos outros é a
verdadeira dimensão de um líder, a verdadeira arte da própria liderança.
Koyata
ficou completamente perplexo quanto ao motivo de ter sido escolhido para uma
missão tão importante. Naturalmente, era impossível recusar. Assim como
ordenado, ele vestiu-se de mercador e acompanhou Tadayoshi ao Castelo de
Nagoya.
No
caminho, Koyata fica ansioso e nervoso. Ele repete atitudes que parecem ser
peculiares aos seus companheiros: de tempos em tempos desaparece e retorna
repentinamente pouco depois. Até mesmo quando alcançam a cidade próxima ao
Castelo de Nagoya, Koyata foge silenciosamente para algum lugar após escurecer,
e então retorna tranqüilamente.
Os três
chegam ao Castelo de Nagoya. Mas, rapidamente são descobertos pelo inimigo
quando espionavam. “Vamos fugir daqui!”, grita Tadayoshi. Mas eles estão no
meio de um castelo que não conhecem e Tadayoshi não sabe que direção tomar.
Nesse instante, uma horda de soldados inimigos apressa-se para bloquear todas
as saídas.
“É o
fim!”, pensa Tadayoshi. Então, o jovem Koyata diz: “Eu lhes mostrarei uma
saída”, e num segundo sai correndo. Indo de uma ruela a outra, atravessando
estreitas alamedas e becos, ele leva o grupo para um local seguro com
facilidade e confiança. Então, Koyata vai até uma loja de mercadores e volta
com três cavalos. “Rápido, meu lorde, monte no cavalo!” Os três montam nos
cavalos e fogem do inimigo.
Nossas
condutas são muitas e diversas
Nessa
ocasião, Tadayoshi faz uma descoberta. No caminho para Nagoya, Koyata com
freqüência desaparecia para aparentemente fazer alguma coisa. Tadayoshi liga
então os fatos. Koyata fizera preparativos para o caso de sua missão falhar.
Ele investigou tranqüilamente uma rota de escape, chegando até mesmo a preparar
alguns cavalos.
Se Koyata
fosse uma pessoa cheia de coragem e autoconfiança, então ele não teria pensado
em outra coisa a não ser avançar contra o inimigo e atacá-lo. Mas devido à sua
extraordinária precaução, ele fez preparativos detalhados para uma fuga. Esse
incidente provou a Tadayoshi como são diversas e várias as condutas das pessoas
— e que cada uma tem seu próprio modo de vida. Em reconhecimento a esse fato,
ele nomeou Koyata para uma posição de responsabilidade.
Sempre
tímido, Koyata preocupou-se por essa posição e pensou em recusar, mas com o
encorajamento perspicaz de sua mulher, ele decidiu: “Serei apenas eu mesmo.
Serei exatamente como sou.” As palavras de encorajamento de uma esposa são
realmente muito valiosas.
O conto
termina com uma cena encantadora na qual Koyata parte corajosamente para o
Castelo de Okazaki, enquanto sua mulher o observa com um terno sorriso.

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