sexta-feira, 20 de agosto de 2021

História do Samurai Covarde

 

soka gakkai

A história de um jovem covarde

Desde épocas antigas, esta região de Tyubu desempenhou um papel decisivo na formação da história japonesa. Esta é uma terra repleta de drama.

Muitos dos romances do escritor japonês Shugoro Yamamoto (1903–1967) passam-se no Feudo Okazaki, na Província de Mikawa (que ocupava a parte leste da atual Província de Aiti). O segundo presidente da Soka Gakkai Jossei Toda era um ávido leitor das obras de Yamamoto, muitas das quais simples retratos da vida das pessoas comuns e dos trabalhos sutis da natureza humana. O presidente Toda sempre considerou importante ler obras que exploravam a complexidade do coração humano.

Uma dessas obras de Yamamoto é o conto Budo Mumon (Impedida a entrada para o Caminho de Guerreiro). O protagonista é um samurai de vinte e oito anos chamado Miyabe Koyata. Koyata é tímido e introvertido e não se adequa à vida de guerreiro. Bastava ver os outros lutarem para fazê-lo tremer. A idéia de desafiar alguém para lutar ou até mesmo de assumir uma responsabilidade é algo totalmente impensável para ele. Ele está sempre fugindo.

No passado, Koyata fez várias tentativas de transformar seu caráter, mas sucessivas derrotas fizeram-no desistir dessa idéia. “Estou bem da maneira como sou”, dizia ele a si próprio. “Não me adequo a uma posição de responsabilidade. Ficarei tranqüilo sem chamar qualquer atenção.”

Descobrindo o potencial de cada pessoa

No entanto, um dia Koyata é escolhido por seu lorde, Tadayoshi Mizuno, para realizar uma missão especial. Célebre por sua liderança perspicaz e corajosa, Tadayoshi propôs um plano audacioso de disfarçar-se de mercador e viajar até o território inimigo para fazer um reconhecimento da área ao redor do Castelo de Nagoya, a fortaleza central e supostamente inexpugnável do vizinho Feudo Owari. Ele escolheu o jovem Koyata e uma outra pessoa para acompanharem-no na jornada.

É importante para os líderes terem o espírito de descobrir o potencial de cada pessoa. Os líderes não devem julgar os outros com base nas aparências ou decidirem através de sua perspectiva limitada que alguém não é bom ou adequado para algo. Empenhar-se para descobrir e revelar os pontos fortes dos outros é a verdadeira dimensão de um líder, a verdadeira arte da própria liderança.

Koyata ficou completamente perplexo quanto ao motivo de ter sido escolhido para uma missão tão importante. Naturalmente, era impossível recusar. Assim como ordenado, ele vestiu-se de mercador e acompanhou Tadayoshi ao Castelo de Nagoya.

No caminho, Koyata fica ansioso e nervoso. Ele repete atitudes que parecem ser peculiares aos seus companheiros: de tempos em tempos desaparece e retorna repentinamente pouco depois. Até mesmo quando alcançam a cidade próxima ao Castelo de Nagoya, Koyata foge silenciosamente para algum lugar após escurecer, e então retorna tranqüilamente.

Os três chegam ao Castelo de Nagoya. Mas, rapidamente são descobertos pelo inimigo quando espionavam. “Vamos fugir daqui!”, grita Tadayoshi. Mas eles estão no meio de um castelo que não conhecem e Tadayoshi não sabe que direção tomar. Nesse instante, uma horda de soldados inimigos apressa-se para bloquear todas as saídas.

“É o fim!”, pensa Tadayoshi. Então, o jovem Koyata diz: “Eu lhes mostrarei uma saída”, e num segundo sai correndo. Indo de uma ruela a outra, atravessando estreitas alamedas e becos, ele leva o grupo para um local seguro com facilidade e confiança. Então, Koyata vai até uma loja de mercadores e volta com três cavalos. “Rápido, meu lorde, monte no cavalo!” Os três montam nos cavalos e fogem do inimigo.

Nossas condutas são muitas e diversas

Nessa ocasião, Tadayoshi faz uma descoberta. No caminho para Nagoya, Koyata com freqüência desaparecia para aparentemente fazer alguma coisa. Tadayoshi liga então os fatos. Koyata fizera preparativos para o caso de sua missão falhar. Ele investigou tranqüilamente uma rota de escape, chegando até mesmo a preparar alguns cavalos.

Se Koyata fosse uma pessoa cheia de coragem e autoconfiança, então ele não teria pensado em outra coisa a não ser avançar contra o inimigo e atacá-lo. Mas devido à sua extraordinária precaução, ele fez preparativos detalhados para uma fuga. Esse incidente provou a Tadayoshi como são diversas e várias as condutas das pessoas — e que cada uma tem seu próprio modo de vida. Em reconhecimento a esse fato, ele nomeou Koyata para uma posição de responsabilidade.

Sempre tímido, Koyata preocupou-se por essa posição e pensou em recusar, mas com o encorajamento perspicaz de sua mulher, ele decidiu: “Serei apenas eu mesmo. Serei exatamente como sou.” As palavras de encorajamento de uma esposa são realmente muito valiosas.

O conto termina com uma cena encantadora na qual Koyata parte corajosamente para o Castelo de Okazaki, enquanto sua mulher o observa com um terno sorriso.

 



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